No campo, a escola é a “semente” que conecta gerações. A instituição de ensino e aprendizagem simboliza o ponto de partida para a mão de obra qualificada, a segurança alimentar no tempo presente e o futuro da sucessão. Por isso, cada início do ano letivo é também uma promessa de expectativas combinada com o reforço do vínculo entre os jovens com a terra de seus pais e antepassados. Por outro lado, representa a continuação dos desafios dentro e fora da sala de aula para estudantes, professores e os gestores docentes que atuam fora das metrópoles e cidades grandes. De acordo com a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), são 507 Escolas do Campo localizadas no meio rural gaúcho.
A informação de quantos estudantes estão matriculados nas Escolas do Campo não foi fornecida pela Seduc, mas pelo menos 437 jovens estão desenvolvendo e ampliando conhecimento na Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul. O diretor Ayrton Ávila lida diariamente com questões pedagógicas e de gestão ma instituição de 65 anos no município de São Luiz Gonzaga.
“Eu mesmo me formei na escola, fui do internato, em 1983. Sou filho de pequenos agricultores e se não fosse a escola não teria como estudar na época”, recorda.
Ávila acrescenta que as dificuldades atuais para fazer uma gestão eficiente no complexo de 289 hectares são muitas. Explica que a escola é organizada em 18 setores de aprendizagem, produção e pesquisa. Cada “divisão” dedica-se a uma especialidade, como bovinos de leite, lavouras, piscicultura, apicultura, mecanização agrícola, plasticultura, viveiro florestal e fábrica de ração, entre outros.
“Trata-se de uma propriedade rural não tão pequena, mas gerenciada com a legislação pública, pois é uma escola. E, o recurso que o Estado nos fornece para a manutenção não é suficiente”, confidencia.
De acordo com Ávila, a instituição recebe em torno de R$ 150 mil por ano do governo gaúcho para alimentação, compra de diesel, de insumos agrícolas e realização de reparos, por exemplo.
“Não tem como funcionar uma escola com esse recurso. Impossível”, afirma.
Para garantir todas as despesas e necessidades, Ávila especifica que o estabelecimento precisa produzir a exemplo de uma propriedade agrícola.
“Temos uma lavoura de soja de em torno de 100 hectares, feita com recursos próprios do Círculo de Pais e Mestres (CPM). Adquirimos os insumos na nossa parceira a Cooperativa Tritícola Regional Sãoluizense (Coopatrigo), alugamos colheitadeira, pagamos frete para transporte e o recurso que nos sobra da produção investimentos na escola”, conta o diretor.
Nesse sistema, Ávila acrescenta que há uma lavoura de 10 hectares de alfafa para a produção de feno, por exemplo.
“Colhemos, vendemos via CPM e o recurso é investido na escola. Assim acontece com o gado de corte. Temos um rebanho de 144 animais”, afirma.
Também conta que, normalmente, são necessárias 135 sacas de milho por mês para as aves de corte e de postura, suínos e ovinos, entre outros animais.
“Nós defendemos a auto sustentabilidade da escola agrícola”, declara. Convicto, complementa: “a nossa atividade é sustentável e interdisciplinar. Acreditamos que o estudante precisa participar e acompanhar o processo produtivo. Aprender fazendo, sublinha.
Neste cenário, o diretor também ressalta a importância da conexão da Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul com o desenvolvimento da região das Missões. Conforme Ávila, a parceria com a Coopatrigo, por exemplo, inclui uma área de pesquisa nas instalações escolares que gerencia estudos nas culturas anuais, de inverno e verão.
“Em torno de 20 empresas do setor realizam suas pesquisas aqui de controle de pragas, doenças, fertilização e adubação de solo. Nossos alunos participam e o investimento na área experimental fica a cargo da cooperativa e das empresas”, detalha.
As parcerias incluem a Embrapa, a Prefeitura Municipal de São Luiz Gonzaga, a Emater/RS-Ascar e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). São específicas na cultura da erva-mate e das oliveiras e no melhoramento do campo nativo. O diretor adianta que está nos planos também a elaboração de um projeto de irrigação a ser apresentado para a Superintendência da Educação Profissional do Rio Grande do Sul (Suepro) e a Seduc.
“Temos água disponível mas precisamos de investimento. As mudanças climáticas já chegaram. A nossa produção de soja está 50% perdida em função da estiagem. A produção de alfafa está muito comprometida, os campos estão secos, tivemos que remanejar peixes dos açudes. A seca é muito forte nas Missões. Tivemos três estiagens na sequência e a escola não teve produção, assim como os agricultores. Esse é um grande desafio”, pontua, complementando que as Escolas no Campo não têm a possibilidade de ter um seguro agrícola ou Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
Ávila observa que a maioria das escolas agrícolas tem enfrentado dificuldades para manter o número de alunos.
“Nós não. Estamos muito felizes com a procura dos filhos dos agricultores pela formação técnica. O aluno que vem para a escola agrícola tem grandes possibilidades de ser um sucessor rural e essa é uma demanda do país. Precisamos da juventude no campo, produzindo com mais tecnologia, qualidade e conhecimento técnico. E a escola agrícola é a base para isso”, afirma. “Estamos com 30% de meninas na escola. Esse também é um dado importante. A mulher está ocupando também esse espaço na sucessão rural. Vamos nos preparar para apresentar um projeto para moradia estudantil feminina”, completa.
Gestão Trabalhosa diante do Clima
No ano passado, a Escola Técnica Estadual Cruzeiro do Sul sofreu danos em sua infraestrutura. Foi no dia 15 de junho de 2024 quando um temporal classificado como microexplosão atingiu a região das Missões. Naquela ocasião, as nuvens não suportaram a quantidade de água e despejaram um volume de chuva muito elevado, em pouco tempo, em direção ao solo. O fenômeno, que foi classificado pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, foi acompanhado de muitas descargas elétricas e granizo. Conforme o diretor, Ayrton Ávila, foram arrancadas mais de 90 árvores de grande porte do pátio da escola. Três meses depois, em 19 de setembro, outro forte temporal atingiu a região e a instituição.
A maior parte das reformas devidos aos estragos foram todas realizadas com recursos próprios do Círculo de Pais e Mestres (CPM).
“Nós partimos para a reconstrução com a participação da comunidade. Conseguimos cobrir a escola novamente, reerguer a parte elétrica. Não tem nada de recursos do Estado, que fez um projeto mas está tramitando desde junho (ano passado)”, destaca.
Conforme Ávila, duas salas de aula ficaram totalmente destruídas e foram reconstruídas em janeiro deste ano. Ele conta que o pouco recurso recebido do Estado foi utilizado no setor de produção para remontar duas estufas que ainda não estão concluídas porque aguardam resultado de uma licitação para a mão de obra.
“Nós reorganizamos tudo. Hoje, se você chegar aqui, não imagina que passamos por esses temporais. Já replantamos 110 árvores. Em setembro, que é o mês de aniversário da escola, fizemos uma prática pedagógica com os alunos”, recorda. “Mas a escola nunca mais foi a mesma depois do temporal de 15 de junho”, desabafa.
A natureza também deixou suas marcas no Colégio Agrícola Estadual Daniel de Oliveira Paiva (Cadop). Localizado em Cachoeirinha, município da região Metropolitana de Porto Alegre, o complexo educacional ficou 19 dias embaixo d’água em virtude da enchente histórica em maio de 2024 no Rio Grande do Sul.
O diretor, Fabio Bialoglowka, explica que antes disso, a escola já havia sofrido com um forte temporal e ventania em 13 de janeiro do ano passado, quando caíram 32 árvores no complexo de 43 hectares.
“Para 2025 nos preparamos com muitas reformas. O governo do Estado estendeu muitos recursos que até então não estavam previstos. Tivemos muitos problemas com pisos que afundaram e os recursos foram muito imediatos, entre outros prejuízos como perdas das cortinas em função da umidade, bebedouros e reposição e recuperação de equipamentos da área técnica”, conta.
Entretanto, conforme Bialoglowka, há muito trabalho a ser realizado ainda nas questões prediais de estrutura física. Um exemplo é o laboratório de zootecnia e o prédio principal.
Sobre o ensino agrícola, o diretor observa que deveria ser mais divulgado na região.
“Ser agricultor, trabalhar no campo, é uma questão antropológica. Isso vem do ser humano. Esse ano vamos organizar um projeto para atrair os alunos do ensino fundamental de outras escolas para um dia de campo e começar a despertar esse interesse e aptidão pela agricultura”, adianta.
O Cadop tem 74 anos de atuação. Atualmente, são 330 alunos, incluindo Ensino Fundamental em tempo integral voltado para as questões ambientais e de produção de alimento sustentável. Bialoglowka está há seis anos na direção e destaca que outro desafio com origem na natureza foi a pandemia de Covid-19, quando os professores tiveram que se atualizar rapidamente de procedimentos e recursos analógicos para os digitais.
Sobre parcerias, o diretor adianta que a escola se conecta muito com empresas de máquinas agrícolas, a agricultura familiar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Entre os projetos futuros está a reativação do internato.
“O Cadop é o mais próximo da rodoviária de Porto Alegre”, sinaliza, indicando que a localização e a logística facilitaria o recebimento de estudantes de outros municípios do interior do Estado.
Trilhas de aprofundamento
Segundo a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), as Escolas do Campo, além de oferecer os Componentes Curriculares da Formação Geral Básica, permitem que os estudantes possam escolher e aprofundar os conhecimentos mais próximos de seus interesses, objetivos e da realidade que vivenciam.
A Seduc explica que isso é possível por meio dos Itinerários Formativos, que são compostos por Projeto de Vida, Trilhas de Aprofundamento e das Unidades Curriculares Eletivas Pré-Itinerário. Esse conjunto contempla temáticas, aspectos produtivos e socioculturais das comunidades do campo, das águas e das florestas.
A Secretaria detalha que para o Ensino Médio das Escolas do Campo, são propostas duas Trilhas de Aprofundamento para a escolha dos estudantes. São elas: Ações Sustentáveis no Campo e Empreendedorismo no Campo. Ambas são compostas de um conjunto de componentes curriculares relacionados à produção de vida, do conhecimento e da cultura do campo.
Conforme a Seduc, em cada uma delas, os estudantes têm a possibilidade de vivenciar experiências educacionais nas quais o conhecimento é marcado pela sua descoberta e intervenção didático-pedagógica. Além disso, a Seduc informa que implementa uma série de ações pedagógicas para qualificar o processo ensino-aprendizagem nas escolas do campo, adotando metodologias em que predominam práticas e procedimentos da investigação científica.
Além disso, a Seduc pontua que as Escolas de Campo têm como laboratório de aprendizagem o entorno comunitário local. Um aprofundamento específico no conhecimento elaborado nas propriedades rurais, nas cooperativas, nas agroindústrias familiares, entre outros espaços de produção e cultura.
Sobre os eventos climáticos de maio de 2024, a Seduc destaca que foi necessária a adoção de medidas para o enfrentamento da crise que afetou 136 Escolas do Campo. Entre elas, o encaminhamento para as mesmas de orientações pedagógicas específicas.
Durante o período de crise, houve uma comunicação constante. Foram informadas as alternativas de oferta das atividades escolares e as adequações no planejamento para o ano letivo, de forma que as famílias pudessem dar o suporte necessário à continuidade do ano escolar, atenuando os impactos decorrentes dos eventos climáticos.
Já sobre a frequência dos estudantes nas Escola do Campo a Seduc pontua que uma de suas principais ações é o Programa Estadual de Apoio ao Transporte Escolar no Rio Grande do Sul (Peate). A iniciativa é uma política pública, realizada em regime de colaboração, que destina recursos financeiros do Executivo estadual diretamente aos municípios que realizam o transporte escolar de alunos da educação básica das escolas estaduais. Segundo a Seduc, com isso, é possível otimizar dos estudantes das escolas estaduais junto às municipais, permitindo inclusive a compra de passagens com valores consideravelmente menores.
A Seduc também informou que, em 2024, o governo do Estado aumentou em 5,26% o repasse realizado anualmente aos 476 municípios que integram o Peate. O valor disponibilizado aumentou de R$ 228 milhões, em 2023, para R$ 240 milhões em 2024. Os recursos beneficiaram, aproximadamente, 68 mil estudantes da Rede Estadual residentes em áreas rurais. De acordo com a Seduc, para participar do Peate, o município deve se habilitar no programa mediante a assinatura de um Termo de Adesão, sem necessidade de qualquer outro acordo, contrato ou convênio.
Sobre outras políticas públicas, estão previstas para 2025 quatro formações específicas com abordagens voltadas para professores atuantes nas Escolas do Campo. A Seduc fornecerá formações constantes e auto instrucionais no portal Educação RS que ocorrem no formato assíncrono para acesso a todos os professores da Rede Estadual.
A Seduc acrescenta que também promoveu a reativação em dezembro de 2023 do Comitê Estadual De Educação do Campo (CEEC). Criada em 2012, a iniciativa que tem o objetivo de acompanhar e auxiliar na criação de políticas públicas voltadas para a Educação no Campo estava desativada desde 2017. Outra política pública é o programa Bolsa Juventude Rural, coordenado e executado pela pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural desde 2013.
Por fim, a Seduc informa que desde 2023 o currículo da educação do campo está sendo reestruturado para atender as especificidades da população rural.
Informa Pampa prepara centro
O Instituto de Formação do Pampa, o Informa Pampa, foi instituído oficialmente em 7 de junho do ano passado. Tem sua sede no interior de Caçapava do Sul, na localidade de Minas do Camaquã que integra os geossítios, reconhecidos pela UNESCO como Geoparque Caçapava. Seu ponto de partida foi a Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea) e as atividades práticas ainda não iniciaram.
“Considerando todas essas transformações que o mundo do trabalho vem enfrentando, principalmente pelo avanço tecnológico, a Agptea também se viu desafiada para ir em busca de uma práxis pedagógica. Não basta mais só uma orientação, uma qualificação teórica. Pensamos então que é chegada a hora para criar um espaço pedagógico, um centro de referência que possa servir de laboratório”, explica o presidente da entidade, Fritz Roloff.
Roloff acompanha a realidade gaúcha da educação técnica agrícola há 40 anos.
“Nós sabemos que a escola, para ser diferente, precisa ter a pesquisa em primeiro lugar, o aluno já não quer mais ouvir aula; o aluno quer ir em busca do saber dentro daquilo que lhe chama atenção. Para isso, nós deveríamos ter horas de pesquisa para todos os componentes curriculares de forma que o aluno possa buscar esse conhecimento e ter o professor como um facilitador do processo, e não ficarmos regrando com planilhas as questões pedagógicas. Quanto mais tempo o professor perder literalmente em preencher planilhas e fazer relatórios, mais o processo de ensino aprendizagem fica prejudicado e atrasa”, pontua.
A Agptea adquiriu uma área de 10 hectares em Minas do Camaquã para instalação de um Centro de Referência que será coordenado pelo Instituto de Formação do Pampa.
“Este terá seu foco voltado à fruticultura e aos produtos de origem do Mel. Uma das atividades a serem realizadas será a certificação do mel que terá o selo SISBI (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal) do Ministério da Agricultura, que dá direito também à exportação do mel”, explica Roloff.
O presidente da Agptea adianta que também haverá a certificação nacional para venda no Brasil e exportação.
“Estamos trabalhando nisso para que a partir da metade desse ano já esteja funcionando o laboratório onde toda essa análise química ou física será feita pela Universidade do Pampa, Campus de Caçapava do Sul. Temos a certeza de que isso será um grande diferencial para que possamos também contribuir de forma prática com o ensino, oferecendo espaço para não somente as escolas de educação profissional, como também para que todas as escolas de ensino médio e curso superior possam ir lá ver como se dá essa certificação”, detalha.
Roloff acrescenta que Caçapava já é um centro de referência no Pampa com a olivicultura.
“Também já temos um lagar, máquina que extrai o azeite, e que servirá de apoio para as pequenas propriedades, onde o pequeno agricultor que tem um hectare ou talvez dois de oliveiras e que pela sua baixa produção não tem condições de levar sua produção para outras cidades para ser lá beneficiado. Existe um tempo muito curto entre a colheita e o processo de extração na máquina para fazer o azeite, sob pena de perder a qualidade do produto”, explica.
Conforme o presidente da Agptea, o objetivo ao oferecer esse serviço é contribuir também para que a região do Pampa seja realmente vanguarda em termos de alternativas e que lá se possa manter todo o ecossistema do Pampa sem destruir aquela natureza dos campos nativos e preservados.
“O plantio de pomares pode funcionar em sistema de consórcio com o campo nativo, pois combinam e vão contribuir para que o ecossistema seja preservado dos agrotóxicos e toda essa linda região do Pampa gaúcho não perca a sua identidade”, adianta.
Para Roloff, ao falar sobre a educação agrícola no Rio Grande do Sul deve-se fazer uma reflexão sobre o que nos últimos anos os governos têm trazido em termos de legislação. Segundo ele, é um problema muito sério para os gestores escolares e professores em geral, as mudanças frequentes e determinações no setor a cada novo governo. Conforme ele, isso faz com que não haja uma continuidade no processo e contribui com que cada vez mais se perca um pouco daquilo que é essencial na relação professor aluno, que é o fazer pedagógico na sala de aula.
“A partir do momento que não tem mais uma escola, a vida comunitária se encerra nesse local. Significa que não tem mais uma organização própria. A escola rural era o ponto de referência. Perde-se a identidade e o sentimento de pertencimento àquele espaço. A perda da identidade local, com o fechamento da referência talvez seja um dos grandes desafios hoje”, avalia.
Pedagogia da alternância
A pedagogia da alternância viajou da França para o Brasil em 1969, em Espírito Santo, onde é chamada aqui de Escolas Famílias Agrícolas. O modelo foi criado em 1935 para preencher a lacuna de uma educação agrícola voltada para os filhos dos agricultores, relacionando a vida na agricultura com os estudos.
“Hoje existem 152 Escolas Famílias Agrícolas em 16 estados do Brasil e mais de 200 centros familiares de formação por alternância. Todas têm por princípio ter uma associação mantenedora, ou seja, é comunitária, formada por pais, mães e jovens egressos”, explica o secretário Executivo da Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa), Adair Pozzebon.
Ao todo, são 30 parceiros no projeto educativo que mantém o foco de expansão somente com qualidade.
Pozzebon detalha que os estudantes passam uma semana na escola (internato) e outra na propriedade da família. O revezamento permite relacionar a teoria com a prática e uma educação de qualidade vinculada à realidade da agricultura.
“Não há uma ruptura entre os diferentes espaços e tempos normativos. Temos 16 instrumentos pedagógicos que fazem essa ligação e os jovens acabam fazendo um curso de Ensino Médio e Técnico”, pontua.
Conforme o secretário Executivo da Agefa, atualmente são três cursos disponíveis: Técnico em Agropecuário, Técnico em Agricultura e Técnico em Agroecologia - todos integrados no Ensino Médio.
“Colocamos a agricultura e a educação para conversarem. Elas precisam andar juntas. É assim tem que ser para ser forte”, explica. Para exemplificar, cita a região de Santa Cruz do Sul, onde 32% da população reside no campo. “É mais do que o dobro da média estadual”, complementa, recordando dados do Censo de 2020.
Ele acrescenta que para ser uma Escola Família Agrícola tem que ter uma associação local, pois coloca o protagonismo na mão das famílias e não do Estado. Entretanto, o governo estadual acaba repassando recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Atualmente, são 270 jovens em formação oriundos de 34 municípios da região. Matté reforça que na semana que os alunos estão em casa não são férias.
“Ele tem um plano de estudo, toda semana tem um tema dirigido sobre sua propriedade”, detalha, acrescentando que são 20 semanas na escola e outras 20 semanas em suas casas. “Estamos formando parceiros das propriedades e suas famílias. Não é apenas um sucessor.”
A Efaserra também oferece o curso Jovem Aprendiz que, conforme o diretor Matté, é totalmente do realizado nas cidades, voltados para a realidade do campo.
