Rural

Ação inédita no RS busca recuperar espécie de butiá ameaçado de extinção

Mudas desenvolvidas ao longo de três anos foram plantadas em área de quatro hectares do Parque Estadual de Itapeva

Na natureza, uma semente pode levar até três anos para germinar
Na natureza, uma semente pode levar até três anos para germinar Foto : Seapi / Divulgação / CP

Equipe do Instituto Curicaca, em parceria com a equipe do Laboratório de Tecnologia de Sementes da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), realizou ação inédita no Rio Grande do Sul: a restauração ecológica, com plantio de mudas da espécie butiá-da-praia (Butia catarinenses), em área de quatro hectares do Parque Estadual de Itapeva, em Torres. A ação também teve o apoio da empresa Farm Rio, através do projeto “Mil árvores por dia”.

A parceria com o Laboratório de Tecnologia de Sementes da Seapi foi essencial para dominar a técnica de quebra da dormência da semente. Na natureza, uma semente pode levar até três anos para germinar. No laboratório, simulando temperatura, umidade e tempo de exposição adequados, o processo levou algumas semanas.

A equipe do Curicaca participou de todas as fases, como coleta de sementes, preparo no laboratório, repicagem e apoio no viveiro. As mudas, plantadas agora, começaram a ser preparadas no verão de 2022. Em 2023 foram repicadas, isto é, foi feita a transferência das plantas germinadas para os sacos com substrato, e desde então permaneceram no viveiro. Por três anos se desenvolveram e fortificaram para alcançarem cerca de 60 centímetros e poderem sobreviver no ambiente natural onde foram plantadas.

“As ações de doações de mudas e o plantio de butiazeiros no estado estão previstas no projeto que desenvolvemos na Seapi, mas o sucesso desse resultado só foi alcançado graças à parceria com a equipe do Instituto Curicaca, que participou ativamente de todas as etapas do processo de multiplicação da espécie”, explica o pesquisador da Seapi, Gilson Schlindwein.

Pelo Laboratório, participaram da ação os pesquisadores Gilson Schlindwein e Adilson Tonietto e as bolsistas do projeto Thais de Beauclair Guimarães e Juliana Marques Vilella. A ação do Laboratório de Sementes faz parte do projeto “Integrando conservação e geração de renda através do manejo, cultivo e valorização econômica em áreas com butiazeiros nativos do RS”. O projeto conta com recursos da empresa CPFL através de processo de Reposição Florestal Obrigatória (RFO) da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).

Além do Laboratório, a ação teve também a parceria do Sítio São José, em Torres, que forneceu sementes da espécie butiá-da-praia. Situado a cerca de um quilômetro do local de plantio, é um local ideal para manter a genética da espécie, quase extinta na região.

O Butiá catarinenses

A redução dos butiazais de Butia catarinensis no Litoral Norte, impulsionada pelo avanço urbano e agrícola, fez com que a espécie integrasse a Lista de Espécies Ameaçadas do Rio Grande do Sul (2014) na categoria criticamente em perigo de extinção. “Ações de restauração ecológica como esta, no Parque de Torres, fazem valer a pena todo o esforço empenhado ao longo desses 20 anos de pesquisa com os butiazeiros presentes no Estado”, destaca Gilson.

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