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Agronegócio é responsável por cerca de 60% de toda a energia renovável do país, revela estudo

Em 2025, o setor foi responsável por quase 30% de toda energia do Brasil

Bioenergia proveniente do agronegócio tem uma inserção ampla na economia brasileir
Bioenergia proveniente do agronegócio tem uma inserção ampla na economia brasileir Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

O agronegócio costuma ser associado apenas à produção de alimentos, fibras e matérias-primas, mas, no Brasil, assume um papel de destaque na oferta de bionergia, o que torna o país mais competitivo e relevante no cenário internacional por busca de segurança energética e redução das emissões de gases de efeito estufa. Ao longo dos anos, entre 1970 e 2025, sua oferta passou de 6,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) para 97,8 milhões de tep, valor superior em mais de quinze vezes ao registro no início a série, sendo o maior volume registrado. É o que revela o estudo Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio,realizado pelo Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Esse crescimento também se refletiu no aumento de sua participação na matriz energética brasileira. A bioenergia associada ao agronegócio representava 9,7% da oferta interna de energia em 1970 e atingiu 29,8% em 2025, consolidando o patamar observado nos últimos anos. Quando considerada apenas a parcela renovável da matriz, a relevância dessas fontes é ainda mais evidente: no ano passado, a bioenergia vinculada ao agronegócio respondeu por aproximadamente 60% de toda a oferta renovável considerada nesse estudo. Dos 162,3 milhões de tep de energia renovável ofertados naquele ano, 97,8 milhões de tep corresponderam à bioenergia associada ao agronegócio, frente a 10,6 milhões de tep de bioenergia não vinculada às atividades agropecuárias e a 53,9 milhões de tep provenientes das demais fontes renováveis.

Ao observar os anos entre 2021 e 2025, a oferta total de energia renovável no Brasil aumentou de 136,7 milhões para 162,3 milhões de tep, elevando sua participação na matriz de 45% para 49,5%. Nesse mesmo período, a bioenergia vinculada ao agronegócio passou de 84,2 milhões para 97,8 milhões de tep, crescimento de aproximadamente 16%, enquanto sua participação na oferta interna de energia avançou de 27,7% para 29,8%.

A expansão recente das fontes renováveis ocorreu também com forte crescimento das energias eólica e solar, cuja participação conjunta passou de aproximadamente 2,8% da matriz em 2021 para 5,8% em 2025. Esse movimento ocorreu em conjunto com a expansão da bioenergia do agronegócio, indicando um processo de diversificação da matriz renovável no qual novas fontes ganham espaço sem reduzir a importância absoluta da biomassa agropecuária, agroindustrial e florestal. Nesse contexto, a série histórica evidencia dois movimentos simultâneos: a intensa expansão da oferta de bioenergia vinculada ao agronegócio e o aumento de sua participação relativa na matriz energética brasileira. Em 2025, essas fontes permanecem próximas de 30% da oferta interna total de energia e alcançam a maior produção energética de toda a série histórica analisada.

Outro aspecto importante da pesquisa mostra que, mesmo que a cana-de-açúcar continue sendo a principal fonte, é possível notar uma maior diversificação: especialmente de lenha e carvão vegetal provenientes da silvicultura energética, lixívia, óleos vegetais, outras biomassas (especialmente grãos utilizados na produção de biocombustíveis) e, ainda em menor escala, o biogás.

Os resultados do estudo mostram que a bioenergia proveniente do agronegócio tem uma inserção ampla na economia brasileira. A distribuição da energia produzida pelas cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais não são restritas ao próprio setor – o agro foi responsável por 55% do consumo –, seguido pela indústria, com 45%; e pelos transportes, com 26%.

Luciano Rodrigues, coordenador do núcleo de bioenergia do Observatório da FGV, destaca que “em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a maior oferta de energia renovável de toda a série histórica. Esse recorde traduz, de um lado, a impressionante capacidade do campo de capturar a energia solar e transformá-la em energia útil e competitiva para a sociedade e, de outro, o avanço da demanda por soluções de baixo carbono, em um cenário com a ampliação das políticas de descarbonização no país”.

Rodrigues ainda acrescenta que “a evolução da oferta de energia do agronegócio nas últimas décadas foi acompanhada por uma transformação em sua composição, com maior diversificação das fontes. Ao mesmo tempo, essa bioenergia passou a alcançar um número crescente de atividades, estreitando a conexão entre o campo e os demais setores da economia. Hoje, o produtor rural e a agroindústria não fornecem apenas alimentos e matérias-primas; fornecem também a energia que movimenta parte expressiva da economia brasileira”.

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