A intenção do governo federal de promover leilões para aquisição de até 50 mil toneladas de milho foi avaliada positivamente por produtores gaúchos. A operação, que deverá ser realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento, tem o objetivo de formação de estoque público do grão e de garantir a equalização de preço no país.
“Vai afetar o produtor gaúcho do cereal que é o primeiro (no país) a produzir e fazer as vendas da sua colheita. Então vai dar uma sensação de demanda para o milho e fazer com que os valores fiquem estabilizados, não reduzindo ainda mais no início da safra”, afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho-RS), Ricardo Meneghetti.
No estado, as primeiras colheitas do grão começam na segunda quinzena de janeiro. “A tendência de redução de área plantada no Rio Grande do Sul se mantém. Agora vamos ver como fica a qualidade do milho”, afirmou o dirigente.
Meneghetti também alerta que a aquisição não é exclusiva para o Rio Grande do Sul e que o governo federal possui estoques do cereal no estado.
“A portaria está aí, mas está vinculada à disponibilidade orçamentária. A verba tem que ser liberada ainda para fazer a equalização dos preços”, complementou o presidente da Apromilho.
A portaria nº 21/2024 foi publicada sexta-feira, dia 3, no Diário Oficial da União, com limite de até R$ 144,2 milhões. A portaria tem validade até 31 de dezembro deste ano e só será permitida em estados onde o preço de mercado superar o mínimo vigente.
A retomada dos leilões pela Conab tem o objetivo de atender o Programa de Venda em Balcão (ProVB), que fornece alimentação aos plantéis de criadores da agricultura familiar que compram o milho diretamente da estatal. O fornecimento contempla agropecuaristas inseridos nas cadeias de produção de carnes, leite e ovos.
De acordo com a Conab, foram comercializados no Rio Grande do Sul, em 2024, cerca de 7,3 mil toneladas de milho, beneficiando 433 pequenos criadores. Os dados nacionais divulgados pela estatal são de que as vendas de grão, por meio do ProVB, totalizaram 111,9 mil de toneladas no último ano, um crescimento de 70% na comparação com o volume registrado em 2023, quando foram comercializadas 65,9 mil toneladas.
O crescimento nas vendas se deu principalmente pelo aumento no número de clientes da iniciativa, avalia a Conab. Em 2024, foram atendidos 11.886 criadores, em um aumento de aproximadamente 50% em relação ao ano anterior.