Rural

Carne Angus ampliou as exportações em 260% no ano passado

Volume de mais de 11 mil toneladas atendeu a 35 mercados, com a tonelada 53% mais valorizada que os embarques brasileiros em geral

Previsão é que em 2026 o volume de embarques se repita pelas mesmas circunstâncias do ano passado
Previsão é que em 2026 o volume de embarques se repita pelas mesmas circunstâncias do ano passado Foto : Daniela Quadros / Divulgação / CP

O Programa Carne Angus Certificada registrou uma ampliação de exportações de 260% no ano passado em relação a 2024. Foram embarcadas 11,28 mil toneladas para 35 destinos, cinco a mais que no ano anterior, com destaque à China, que comprou 53% do total, e a Israel, na segunda colocação, com 21%, assim como novos clientes, como a Albânia. Os números dos embarques foram apresentados à imprensa nesta terça-feira, 27, pela diretoria da Associação Brasileira de Angus, que ainda ressaltou a valorização da tonelada negociada, em 8.505 dólares, ante 6.687 dólares no ano anterior, valorização de 27,2%. E 53% a mais que a média das vendas brasileiras em geral, de 5.539 dólares/tonelada.


O presidente da associação, José Paulo Cairolli, justificou a expansão na capacidade do Brasil em suprir o mercado global de carne tanto em quantidade como em qualidade num momento de retração na produção dos principais players. E reiterou as propriedades diferenciadas da carne Angus gerada em 13 estados brasileiros. “Temos o melhor programa de certificação, no mínimo, da América Latina”, argumentou Cairolli. O dirigente ainda ressaltou o crescimento dos embarques num ano tumultuado pelo “tarifaço” de Donald Trump, assim como, do anúncio pela China de cotas aos países exportadores àquele mercado, como o caso do Brasil.


Conforme Cairolli, a previsão é que em 2026 o volume de embarques se repita pelas mesmas circunstâncias que cresceu no ano passado: o grande pontecial que o país tem de gerar volume de proteína vermelha e pela diferenciação da carne brasileira. “O mercado consumidor tende cada vez mais a buscar a carne com esta qualidade”, justificou. “Temos uma capacidade muito grande de crescer”, projetou. “A Angus é reconhecida como a melhor carne do mundo porque entrega qualidade e sabores diferenciados”, argumentou. “O Programa Carne Angus Certificada nos garante este padrão em todo e qualquer corte que leva nosso selo. Iremos trabalhar firme na valorização dessa marca de forma a orientar o consumidor sobre a importância de exigir o selo.”


O diretor do Programa, Wilson Brochmann, lembrou que em 2026 e nos próximos anos ainda há espaço para a expansão nos atuais e para novos mercados. “Queremos fortalecer ainda mais nossa presença no mercado externo, atender a novos países e ampliar os embarques para as 35 nações que já abastecemos com os nossos produtos”, afirmou.

“Ainda há muito a ser feito e acreditamos em resultados sempre melhores, principalmente mirando em clientes do Oriente Médio, que é uma região com poder aquisitivo e potencial para aquecer ainda mais os negócios”, explicou.


E para atender às demandas externas também ocorreu aumento dos abates de animais dentro do programa de certificação, de 613,21 mil cabeças, o maior em 23 anos, e 20% a mais que em 2024, ou 53 mil toneladas de carne, 78,7% para atender ao mercado interno. O diretor executivo da associação, Mateus Pivato, disse que apesar dos números expressivos, o ano passado foi desafiador nos aspectos de genética e de marketing para a entidade. E neste sentido o produtor deve entender que para obter o selo de carne certificada ele precisa buscar de forma incessante a excelência no sistema produtivo. “Isso passa pelo melhoramento genético”, sustentou. “O nosso caminho é árduo e difícil”, disse. “Para produzir mais, melhor e com menos.”

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