Os custos para o produtor gaúcho aumentaram 1,55% em abril, enquanto no acumulado do ano já subiram 4,90%. Os números foram divulgados nesta terça-feira, 2, no relatório mensal dos índices de Inflação do Agronegócio do Rio Grande do Sul, divulgado pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul).
“O principal ofensor do mês foi o fertilizante, que encareceu 8% em abril, pressionado por incertezas no mercado internacional de insumos e pela valorização das matérias-primas utilizadas em sua fabricação”, justificou nota da entidade.
Já em relação aos defensivos agrícolas, a alta de 4% do dólar no período contribuiu para reduzir os preços, o que aliviou parcialmente a pressão sobre o custo total. Ainda assim, informa a Farsul, o resultado geral ficou no campo positivo, ou seja, mais caro para o produtor.
“A alta dos custos continua, embora em menor intensidade que a observada em março”, avalia.
No acumulado em 12 meses, o IICP acelerou para 2,37%, reforçando a tendência de alta que tomou o lugar do período de deflação registrado ao longo de 2025”, avalia.
Cotações sobem menos
Quanto à receita ao produtor, o cenário é de recuperação parcial.
“O Índice de Inflação dos Preços Recebidos (IIPR) subiu 0,81% em abril, impulsionado pela valorização do leite, arroz, trigo e boi gordo. No entanto, o acumulado em 12 meses permanece negativo em expressivos -9,19%, o que significa que, apesar da melhora recente, o produtor ainda recebe menos hoje do que recebia há um ano pelo mesmo produto”, acrescenta.
“O arroz e o leite seguem pressionados pela oferta mais baixa, enquanto o trigo apresenta a elevação típica do período de entressafra. O boi gordo, por sua vez, reflete a virada do ciclo pecuário, que historicamente começa a favorecer os preços ao produtor após períodos de abate intenso”.
Em síntese, explica a entidade, um dos pontos de destaque do relatório é o contraste entre o que o produtor recebe e o que o consumidor paga nas gôndolas.
“Enquanto o IIPR acumula -9,19% em 12 meses, o IPCA Alimentos e Bebidas, índice que mede a inflação dos alimentos para o consumidor final, acumula alta de 2,69% no mesmo período. O IPCA geral está em 4,39%”, descreve.
“Os números evidenciam um descolamento significativo entre o campo e a mesa demonstrando que a inflação dos alimentos não tem origem no produtor rural, mas nas etapas seguintes da cadeia produtiva - transporte, processamento, distribuição e varejo - além da dinâmica macroeconômica mais ampla, como câmbio e juros”, analisa.
“O fenômeno não é novo, mas os dados de abril de 2026 o tornam mais visível: quem produz recebe menos do que há um ano; quem consome paga mais.”
“Os produtores rurais do Rio Grande do Sul enfrentam em 2026 um duplo desafio. Enquanto os custos de produção continuam subindo, os preços recebidos pela produção ainda não se recuperaram dos níveis de um ano atrás”, é a conclusão da Farsul.