Rural

Embrapa Pecuária Sul celebra 50 anos

Unidade gaúcha foi criada em 1975 e se destaca pelas pesquisas em melhoramento animal

Foto : Keke Barcelos / Embrapa Pecuária Sul / CP

Embora a data oficial ocorra somente no dia 13 de junho, a Embrapa Pecuária Sul, sediada em Bagé, na Campanha Gaúcha, já deu início às comemorações do cinquentenário de sua fundação, ocorrida em 1975. A programação prevista deverá destacar a notável contribuição da unidade de pesquisa para a consolidação da pecuária de corte no país, com ênfase nos esforços para desenvolvimento de tecnologias de alimentação, sanidade e genética.

“Esses componentes permitiram os primeiros novilhos precoces, com o abate que passava de um boi de cinco a seis anos para dois anos. Um caminho que mudou a realidade das fazendas que adotavam a tecnologia”, diz o chefe-geral da Embrapa Pecuária de Corte, Fernando Flores Cardoso.

As tecnologias incluíam o consórcio das forrageiras azevém, cornichão e trevo branco, o controle integrado de ecto e endoparasitas, as verminoses e, principalmente, o carrapato, reduzindo consideravelmente a morte de animais. À lista, pode-se acrescentar as técnicas de manejo do rebanho, o desmame precoce de terneiros, o acasalamento de inverno em bovinos e o melhoramento do campo nativo.

Fernando salienta que as comemorações estão concentradas no período a partir de meados dos anos 1970, quando a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) somava cerca de dois anos de fundação. A história da unidade Pecuária Sul, no entanto, tem início mais de quatro décadas antes, em 1934. Naquele ano, em que foi promulgada a terceira Constituição brasileira, em que foi aprovado o primeiro Código Florestal do país, com Getúlio Vargas eleito presidente da República por voto indireto da Assembleia Nacional Constituinte, o Ministério da Agricultura escolhia a Estância Cinco Cruzes, em Bagé, para ali instalar a Inspetoria Regional do Fomento da Produção Animal do Rio Grande do Sul. A aquisição da estância pelo governo federal teve de aguardar mais três anos, até 1937, quando ocorreu também a primeira importação de reprodutores, adquiridos na Exposição de Palermo, na Argentina.

Oito anos depois, a estância, consolidada como espaço de pesquisa e desenvolvimento genético da bovinocultura gaúcha, realiza uma das iniciativas mais marcantes na história das raças de corte do Brasil, com um programa de cruzamento entre animais da raça Nelore, provenientes do Mato Grosso, e fêmeas Angus, adquiridas no Rio Grande do Sul. O objetivo deste cruzamento era produzir um bimestiço como nova raça adaptável às regiões pobres de pastagem natural no Estado. O bimestiço, originalmente ficou conhecido como Ibagé e, posteriormente, Brangus-Ibagé. A primeira seleção de tais animais ocorreu no início de 1953, sendo que somente em 1955 nasceram os primeiros animais 3/8 Nelore – 5/8 Angus.

Os esforços, já como unidade da Embrapa, tiveram continuidade com o surgimento de novos cultivares de forrageiras.

“Lançamentos de vários materiais de leguminosas adaptadas ao sul, que são plantas que fixam nitrogênio e melhoram a alimentação dos animais”, relata Cardoso, salientando “o programa de fornecimento de forragem durante todo o ano, que é o pasto 365, que trabalha numa lógica de combinar essas diferentes forrageiras”.

A combinação associa, por exemplo, as forrageiras de inverno ao capim sudão, plantado anualmente em mais de 600 mil hectares. “Com essas combinações, conseguimos ter pasto verde o ano inteiro e produzir mais de 1,1 mil quilos por hectare por ano”, destaca o chefe-geral. Cardoso ressalta ainda o desenvolvimento de novos produtos de carne ovina, como forma de agregar valor às carcaças dos animais de descarte, como, por exemplo, a copa ovina e o presunto cru, curado ovino.

Apesar da atuação destacada, a Pecuária Sul é a menor das quatro unidades de pesquisa da Embrapa no Rio Grande do Sul, pelo menos considerando o quadro de colaboradores. Atualmente, são 111 vagas. “Estamos abaixo disso, mas com um concurso aberto para completar o quadro”, afirma. O conjunto é formado por 32 pesquisadores, que se dedicam a enfrentar os principais desafios da produção de alimentos para o futuro.

“Isso tem relação com o clima, com o meio ambiente, com a saúde humana e com o desenvolvimento dos territórios. Precisamos buscar elementos mais eficientes para o sistema de produção, componentes mais eficientes. Então, a gente trabalha no desenvolvimento de novas cultivares forrageiras, no melhoramento genético dos animais, no uso de aditivos, suplementos para melhorar a nutrição e também a sanidade dos animais”, relata Cardoso.

“Com animais, com plantas mais adequados, mais adaptados, mais funcionais, a gente consegue aproveitar melhor os recursos naturais e tendo uma maior produção de alimentos saudáveis”, acrescenta.

A primeira ação pública do projeto Embrapa Pecuária Sul 50 Anos – Novos Desafios, Uma Só História será um Dia de Campo institucional, previsto para o dia 29 de maio, na sede da unidade. Na data, o centro de pesquisa e parceiros apresentam inovações tecnológicas em quatro estações temáticas, com discussões nas áreas de forrageiras, melhoramento genético animal, sistemas integrados de produção, serviços ecossistêmicos da pecuária, qualidade dos produtos cárneos, agropecuária de precisão, balanço de carbono na pecuária, entre outros.

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Outro momento importante será a solenidade de aniversário, atividade político-institucional que acontecerá no dia 13 de junho. Durante o evento, a Embrapa Pecuária Sul lançará a publicação 50 Anos em 50 Tecnologias, que retrata a história do centro de pesquisa a partir de suas entregas ao setor produtivo. Também será lançado o documentário Embrapa Pecuária Sul 50 Anos, um relato dos momentos marcantes da unidade contendo entrevistas com empregados, aposentados, parceiros e personalidades do setor agropecuário. O evento contará, ainda, com homenagens a parceiros, funcionários e aposentados.

“A marca é histórica e nos convida a refletir sobre o papel que este centro de pesquisa cumpriu para sedimentar a produção pecuária nos campos sul brasileiros. Também é, da mesma forma, um convite para a reflexão sobre os desafios contemporâneos e futuros, diante de um cenário que exige de todo o setor de produção de alimentos a responsabilidade sobre tópicos como sustentabilidade, bem-estar animal, conservação dos recursos naturais, inclusão social e produtiva, rentabilidade, saudabilidade dos produtos, entre outros”, conclui Cardoso.