Se depender da turminha que correu o Freio Jovem nesse final de semana no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), o futuro do Cavalo Crioulo está garantido.
Descarregando toda a emoção acumulada durante a Grande Final deste sábado (15/11), o pequeno Vicente Pulheiro, de 9 anos, deixou a pista de prova às lágrimas pela dobradinho ao vencer o Freio de Ouro, montando Correlera Tape (box 16) e também o Freio de Prata, com Estampa das Traíras (box 13), na categoria Infantil A. Morador de Canoas (RS) e com uma agenda de treinos difícil de conciliar com as provas do 3º ano do ensino fundamental, ele garante que a alegria não cabe no peito.
“Monto desde os três anos e estou sentindo muita felicidade. O mais difícil foi manter o pódio”, disse o garoto que, em 2024, ficou em sétimo lugar.
Ele conta que, no ano passado, voltou para casa obstinado em reescrever sua história. “Eu treino nos finais de semana e, às vezes, durante a semana. O cavalo crioulo é um sonho”, salientou o ginete que tem a orientação da equipe do CT Zick Souza, em Gravataí (RS). Na torcida, a mãe Renata dos Santos confidencia que realizou um sonho. “Ele se empenhou nos treinos e fez campanha de orações. Todos os dias lia os salmos 13 e 16 repetidamente”, contou, fazendo referência ao número dos boxes classificados para a grande final.
Entre as meninas, o Freio de Ouro da Infantil A foi para a pequena Helena Arruda, de 7 anos, de São José (SC). Com a experiência de quem começou a carreira ainda bebê sob um cavalinho de borracha, ela é exemplo de determinação e amor ao cavalo. Disputando diversas modalidades e já com patrocinadores apoiando seu talento, ela decidiu correr o Freio de Ouro e deu início aos treinos neste ano. Logo na estreia, já venceu, liderando em todas as etapas.
“Foi uma maratona porque foi muito difícil”, disse a garotinha montando o cavalo picaço ZR Isaque (Box 04), a quem ela chama pelo apelido de Black.
A etapa mais difícil, garante ela, foi vencer o nervosismo para a Grande Final. “Eu treino muito, rédeas, três tambores, baliza. Mas o que eu mais gosto mesmo é montar”.
Questionada sobre o que vai fazer com o prêmio quando voltar a Santa Catarina, ela responde ser hesitar: “vou levar para a escola”. Acompanhada do treinador Bruno Rodrigues e dos pais, a menina não brinca quando está no lombo do cavalo e já sabe o que vai ser quando crescer: “Vou ser domadora, veterinária e, se der, também quero ser Polícia”.
Muito competitiva, ela emocionou os pais Heleno Arruda e Daiane Botelho, que identificaram o dom da menina muito cedo. “É algo natural dela. Ela é muito cavaleira”, frisou Arruda. “Esse é o dom dela. A gente vê como os cavalos amam ela, e como ela ama o cavalo”, completou Daiane.
A emoção também tomou conta do ginete José Inácio Oliveira Teixeira, que montou Harmonia Gamarra (box 44) e venceu a categoria Infantil B Masculina. Empunhando a bandeira do Brasil em pleno feriado da Proclamação da República, ele comemorou seu quarto Freio de Ouro. “É muito emocionante para mim, eu acabei de trocar de categoria, eu achei que esse ano eu não iria conseguir ganhar. Mas eu treinei, me dediquei e consegui”, conta o representante da Cabanha Harmonia, de Santa Vitória do Palmar (RS).
O Freio Jovem iniciou ainda durante a semana movimentando o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. As grandes finais ocorreram na tarde deste sábado nas categorias Infantil A (6 a 8 anos), Infantil B (9 a 11 anos), Juvenil A (12 a 14 anos) e Juvenil B (15 a 16 anos). Em cada uma delas, os participantes do sexo masculino e feminino competiram separadamente.
Ao todo, 157 conjuntos disputaram a prova, incluindo equipes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Uruguai. “Essa turma é o futuro da raça Crioula. A maior contribuição que podem dar não é apenas para a raça, mas para a sociedade, na formação de homens e mulheres de bem”, disse o presidente da ABCCC, César Hax, que entrega o cargo a André Rosa no próximo dia 1º de dezembro.