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Gripe aviária: “Não sabemos o que pode acontecer”, diz prefeito de município com 40% da economia dependente da avicultura

Tupandi, no Vale do Caí, 2º maior produtor de frango do RS, teme inclusive queda na arrecadação com casos da doença confirmados em granja de município próximo

Tupandi é a segunda maior cidade em produção de frangos
Tupandi é a segunda maior cidade em produção de frangos Foto : Pedro Piegas

O prefeito de Tupandi, no Vale do Caí, Paulinho Ludwig, diz haver uma “grande incerteza” relacionada à gripe aviária, que chegou a uma granja de matrizes no município próximo de Montenegro, causando apreensão em produtores de toda a região. A preocupação de Tupandi, que não teve confirmações ou suspeitas da doença, é justificada pelo fato de a avicultura representar 40% de sua economia, enquanto a produção primária em si movimenta seis a cada dez reais que circulam na cidade de cinco mil habitantes.

Assim, o município também é o segundo maior produtor de carne de frango do Rio Grande do Sul, com 28,5 milhões de quilos em 2024. “Não sabemos o que poderá acontecer caso isto se propague. Mas isto deve repercutir em outros segmentos. Não poderíamos manter muitos dos serviços que temos hoje. Se a arrecadação baixar, vai ser complicado”, disse ele. “Não sabemos se vai parar, se não vão mais alojar os pintinhos, como vai se conseguir vender o frango”.

Ludwig e o vice-prefeito, Hélio Inácio Müller, já estavam com passagem comprada para ir à Marcha dos Prefeitos, em Brasília, grande oportunidade para chefes do Executivo, especialmente dos municípios menores, buscarem recursos junto ao governo federal e deputados locais. Com a emergência sanitária, eles desistiram da viagem.

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A recepção da Prefeittura passou a ter folders sobre a gripe aviária distribuídos pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), com grande procura por parte dos moradores. “Por enquanto, estamos na retaguarda, na defensiva, porque, enquanto não há nenhuma orientação adicional, o pessoal está criando os animais”, prosseguiu o prefeito.

“O ruim é mais a questão internacional, principalmente a questão da importação da China”, comentou Müller, ao se referir à suspensão das compras de aves pelo país asiático. Há 103 famílias produtoras de frango em Tupandi, empregando diretamente por volta de 500 pessoas, ou seja, 10% da população. A grande maioria é de integrados, ou seja, produz e comercializa diretamente com empresas maiores.

“Elas (empresas) já orientaram os produtores sobre como devem proceder. Elas estão muito preocupadas com isto, e, logicamente, o município também. Se tiverem de abater os animais dentro dos aviários, é uma grande preocupação”, disse Ludwig. Nem a própria Administração pode se aproximar dos aviários, pela questão sanitária. Conforme o secretário Municipal de Administração, Matheus Klassmann, há cerca de um mês foi aprovado um projeto de lei na Câmara de Vereadores onde Tupandi justamente subsidia reformas e ampliação de galpões de aviários.

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Com a gripe aviária tão próxima, a expectativa pode ser frustrada. “Nossa preocupação é conseguir manter o jovem na propriedade rural”, salientou ele. A Prefeitura também se reuniu nesta semana com o governo do Estado para avaliação da situação, e ouviu da Agricultura estadual que o número de médicos veterinários e demais profissionais foi reforçado.

Uma das áreas com maior número de aviários em Tupandi é a localidade de Morro da Manteiga, no alto de uma colina de mesmo nome. Por lá, a rotina basicamente se mantém a mesma. Produtor há 30 anos, Paulo Inácio Rambo contou que já tinha cuidados sanitários por exigência da empresa integrada, mas que os reforçou agora.

“Soube dessa gripe pela TV. No mesmo dia que isso começou, a companhia para a qual trabalhamos mandou mensagem também avisando. Estamos conscientes”, disse ele, que mantém quatro galpões na área, somando 27 mil aves de corte. No entanto, as estruturas estavam vazias, pois as aves já haviam sido levadas pela empresa na semana passada.

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