Bons negócios mas com cautela. Esta é a perspectiva do Ceo da Mahindra Brasil, Jak Torretta Jr., na Agrishow 2025, em Ribeiro Preto (SP). A empresa de origem indiana está lançando no evento o Trator OJA 3140, com 40 CV, a retroescavadeira VX90 e uma plantadora de batata. Apesar das novidades, o tom do dirigente é moderado sobre perspectivas pois no cenário agrícola a taxa de juros é apontada como extremamente alta para os produtores que ainda convivem com o falta de recursos para seus financiamentos em programas como o Pronaf e o Pronamp.
“Esses pontos vão influenciar o resultado da feira para todos os fabricantes (de máquinas e equipamentos) uma vez que o produtor tem a demanda mas não há a liberação (do crédito). Esse é o principal entrave para o sucesso da Agrishow este ano”, projetou Torretta Jr, acrescentando que em 2024 o desbloqueio de recursos em abril e maio resultaram em bons meses de vendas para o segmento.
O dirigente recorda que no Rio Grande do Sul, por exemplo, o desempenho da comercialização da Mahindra de máquinas agrícolas para a agricultura familiar e pequenos produtores teve um desempenho muito bom no ano passado. “Foi um dos estados entre o maior número de vendas e com crescimento da nossa participação no mercado (gaúcho)”, afirmou.
Segundo o Ceo da Mahindra Brasil, atualmente os produtores no país que buscam financiamento em bancos privados ou mesmo junto ao Banco do Brasil irão pagar uma taxa de juros entre 20% e 22%. Os percentuais, conformeTorretta Jr., são inviáveis para o bolso e o orçamento, principalmente do agricultor familiar.
Sobre o próximo Plano Safra, a ser anunciado no final de junho pelo governo federal, Torretta Jr. apontou que o principal gargalo continua sendo a equalização entre os juros pagos pelo poder público, conforme a taxa de mercado, e a taxa de juros que o agricultor realmente paga. Consequentemente, para ele, mais uma vez o setor primário corre o risco de ter acesso a menos recursos do Tesouro Nacional para realizar novos financiamentos, como a compra de sementes ou a substituição de máquinas e equipamentos.
O volume de dinheiro disponível dependerá das contas da equalização que será decidida pelo governo federal. “Vamos ficar muito restritos, com o mercado muito pequeno se o agricultor não conseguir renovar as suas máquinas e equipamentos”, adiantou, acrescentando que se isso ocorrer o agricultor terá prejuízos em sua competitividade devido aos impactos em seus custos de produção por conta da utilização de maquinários mais antigos e necessidade de reposição de peças, entre outros.
Para finalizar, ao ser questionado sobre os efeitos do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, Torretta Jr. avalia como cedo para pressupor oportunidades tanto para o mercado nacional de máquinas quanto para a atividade primária em si. “Eu vejo que ainda haverá um ajuste. Ele soltou a ‘bomba’, sentiu a reação e agora vai começar a negociar país a país. Então ainda não temos um cenário muito claro de como o Brasil pode ser positivamente ou negativamente afetado”, concluiu.