Aprimorar a atividade pecuária dentro da porteira e melhorar a comunicação do setor para o lado de fora do ambiente de produção estão entre os objetivos do Instituto Desenvolve Pecuária, fundado há quatro anos no Rio Grande do Sul. “Os pecuaristas que sentiam que precisavam mudar”, definiu o perfil dos criadores da instituição Antonia Scalzilli, a presidente do Instituto, que, na sexta-feira, 5, visitou o jornal Correio do Povo acompanhada do diretor comercial, Eduardo Hoffmann, e entregou uma placa ao diretor-presidente do veículo, Marcelo Dantas, pelos 130 anos da publicação. “Nosso reconhecimento pela inestimável contribuição à agropecuária do Rio Grande do Sul”, menciona trecho da inscrição na placa.
Antonia e Hoffmann entregaram uma placa ao diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas, pelos 130 anos do jornal
Conforme Antonia, a pecuária gaúcha já foi protagonista e, inclusive, toda a origem da pecuária brasileira se deu no Rio Grande do Sul. “A gauchada subiu, colonizou o Brasil-Central. E, de certa forma, aqui a coisa estagnou”, descreveu a dirigente, que lembrou ser o Estado o “berço de raças britânicas, uma excelência de carnes”.
“Tudo o que o mundo deseja consumir a gente tem pronto aqui. Precisa, sim, organizar cada vez mais para que a gente tenha escala, constância desta carne e comunicar”, lembrou. “Porque tudo o que a gente faz dentro da porteira é necessário que rompa, extravase para a população urbana”, acrescentou.
A dirigente afirmou que anteriormente entre os pecuaristas se entedia que era “baixar a cabeça e trabalhar que os resultados falariam por si”. “Enquanto a gente trabalhava de boca fechada, muito de ideologias contrárias falaram por nós. E não falaram a verdade sobre quem nós somos, o que nós produzimos”, lamentou.
“Então agora o momento é de uma exigência de posicionamento e protagonismo. E, por isso, o Instituto. Para a que a gente entenda, sim, nós somos os protagonistas desta história e a gente precisa mudar o comportamento do gaúcho”, explicou. “E aí nos cabe falar, como gaúchos, realmente de nos colocarmos em primeiro lugar com esta carne de excelência, com este respeito, tudo o que o mercado quer consumir”.
Portanto, reiterou, cabe ao Instituto Desenvolve Pecuária usar a força da comunicação junto as pessoas para ressaltar os diferenciais e qualidades da carne produzida nos campos do Rio Grande do Sul.
“Através da comunicação a gente precisa que os nossos consumidores percebam que são produtos diferentes (carnes gaúcha e do restante do Brasil). E, realmente, são. A carne lá de cima (Brasil-Central) chega mais competitiva que a nossa porque tem um custo de produção menor, um clima diferente”, esclareceu Antonia.
Exemplo uruguaio
E mencionou o caso da carne produzida no Uruguai, país com semelhanças ao Rio Grande do Sul, produto esse que é mais expressivo no mercado internacional e assim mais valorizado por que carrega uma série de diferenciais, e que pode ser um exemplo a ser seguido pela pecuária gaúcha.
“É nós aqui somos praticamente a replicação do Uruguai. Temos tentado fazer descolamento da carne brasileira, que é sim uma carne segura, responsável, mas que não é a carne que nós temos. Queremos ‘descommonetizar’ o nosso produto”, destacou. “E, realmente, é diferente, é um terroir diferente”, complementou Eduardo Hoffmann.
Antonia ainda destacou a atuação do Instituto após a enchente do ano passado, como o lançamento de um selo de origem “para comunicar ao Brasil”. Assim, a instituição teve o apoio do agronegócio brasileiro ao realizar quatro leilões, cujos valores arrecadados de R$ 8 milhões beneficiaram os afetados pelo desastre, desde a destinação para a construção de casas, com o apoio de parceiros, à distribuição de cartões com valores de R$ 3 mil para que o atingido pudesse comprar o que necessitasse. “Como sendo gaúchos não tinha como não se envolver”, justificou.
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