A reunião de 412 agricultores em Passo Fundo, para entender melhor as possibilidades da fixação de carbono no evento Conexão Pro-Carbono, da Bayer, mostra a efervescência atual do tema relatada por especialistas na área como Cristiano Andrade, pesquisador na Embrapa Meio Ambiente. "O interesse é crescente pelo carbono, até porque o assunto das mudanças climáticas ganhou a mídia de massa", disse, durante o evento, que ocorreu nesta quinta-feira. "É um programa complexo e completo, a gente não tem similar no Brasil nem no mundo", completa o pesquisador.
O Pro-Carbono teve início em 2020 e, enquanto em 2021 o programa tinha 414 associados, agora, são 1.800. "O projeto inicial era ter mil agricultores, mas a demanda foi tão alta que passamos para 1.800", relata líder do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina, Fábio Passos. O projeto monitora sistemas de produção de soja e milho avaliando emissões e remoções de carbono com o objetivo de consolidar esse mercado e descarbonizar a economia.
Ao entrar no projeto, os agricultores se comprometem a adotar práticas como o cultivo direto e rotação de culturas. Com isso e o acompanhamento do programa na última safra, Passos relata que os participantes obtiveram um aumento de 6% em produtividade. Porém, o projeto é de longo prazo e pretende inserir os produtores no mercado de carbono assim que possível. O mercado de carbono brasileiro ainda está em estruturação e o Pro-Carbono está encabeçando negociações com indústrias para começar a monetizar o sequestro de carbono a partir do ano que vem.
"Estamos na fase de estruturar uma cadeia para enxergar o fluxo, para podermos ver o quanto e como esse carbono vai remunerar, se é em venda de créditos ou se é com uma valorização e prioridade de compra e venda (para produtos que sequestram carbono)", explica Andrade. Mesmo sem remuneração direta no momento, Andrade afirma que a adoção dessas práticas pode aumentar a produtividade da soja de 5% a 10%, por exemplo, resultado que já pode ser observado após a primeira ou segunda safra.
De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cimélio Bayer, a prática mais importante para o sequestro do carbono é o plantio direto, que consiste em plantar uma cultura após a outra sem preparo prévio do solo, formando uma palha. Outras práticas fomentadas com esse objetivo no evento são a rotação de culturas, utilização de plantas de cobertura e inclusão de leguminosas no sistema de produção.
