Rural

PIB do agro deve cair 10,66% em 2025, estima Farsul

Entidade avaliou cenário e destacou que esta é quinta safra de grãos com frustração

Gedeão Pereira (C) observou que a crise climática atrasou o crescimento gaúcho
Gedeão Pereira (C) observou que a crise climática atrasou o crescimento gaúcho Foto : Camila Cunha

Projetando uma queda de 10,66% no PIB agropecuário gaúcho para este ano, a Farsul espera um 2026 com crescimento de 36,75% do setor no Estado. Na avaliação da entidade, apresentada nesta terça-feira (16), em Porto Alegre, 2025 foi de frustração para o cultivo de grãos. “Já é a quinta safra consecutiva que nós estamos tendo problemas. Safra essa que deveremos ter uma perda de 6% na produção de grãos em relação ao ano passado, que já foi um ano ruim. Ou seja, estamos numa situação, que não conseguimos sair”, declarou o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. Com base em números do IBGE, a estimativa é de uma colheita de 32,4 milhões de toneladas no acumulado até dezembro e 39,9 milhões de toneladas em 2026.

Para o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, “estamos vivendo uma crise climática no Rio Grande do Sul”, que atrasou o crescimento econômico do Estado. “Nesses últimos quatro, cinco anos, foram vários bilhões de reais que deixaram de circular nos bolsos dos gaúchos”.

O PIB geral do RS deve apresentar alta de 1,15%, estima a entidade, e 4,40% em 2026. Enquanto isso, o Brasil deve crescer 2,35% este ano e 1,75% no próximo. Considerando apenas o agro brasileiro, 2025 deve fechar com avanço de 10,52%. “O agro está mais uma vez ajudando o PIB do Brasil a crescer mais do que cresceria sem ele”, explicou Da Luz. “Ano que vem, a gente está prevendo uma queda de 1,1% no PIB, porque é sempre muito difícil depois de um crescimento dessa magnitude sustentar”, continou.

Efeitos da Selic

Considerando que o Copom adotou medidas corretas ao manter a taxa básica de juros em 15% nos últimos meses para segurar a inflação, o economista apresentou os gastos do governo federal, que fazem aumentar a dívida pública, podendo superar um aumento de 23%. “O Brasil atinge R$ 1 trilhão de pagamento de juros.”

Tudo isso, apresentou Da Luz, deixa pouco espaço para investimentos. O Brasil, segundo ele, destinou 17,4% do PIB a investimentos nos últimos dez anos, enquanto 56% vão para o financiamento da dívida do setor público.

Maior crise de crédito da história do Brasil

Ainda avaliando o cenário econômico brasileiro, o economista destacou que o Brasil apresenta a maior crise de crédito da história. “Já tivemos queda de 14% no Plano Safra anterior e, para o atual Plano Safra, projetamos mais uma queda de 15% de valores efetivamente tomados”, disse Da Luz. Ele acrescentou que, neste ano, 130 mil pessoas tomaram crédito em 2025 e que, provavelmente, elas não devem aderir ao plano de 2026.

“No RS, a queda é mais acentuada, de 21%”, afirmou, dizendo que o problema do crédito não é do Estado, é do Brasil e que cada vez menos produtores estão acessando recursos para plantar a safra de 2026. Ele explicou que a razão disso, é o atual patamar da taxa Selic, esclarecendo que, conforme os juros sobem, os números de inadimplência acompanham. “O Brasil está vivendo uma inadimplência de 11% no crédito rural.”

“As políticas agrícolas dependem de recursos. Produtor que for dependente de governo, vai ter muitas dificuldades, o produtor precisa entender que é ele por ele mesmo”, observou.

Poliprodução

Domingos Velho Lopes deve assumir a presidência da entidade no lugar de Gedeão | Foto: Camila Cunha

Eleito novo presidente da Farsul, que deve assumir o cargo em 2026, Domingos Velho Lopes falou do futuro da entidade e do setor. Dentre as possibilidades de saída para os entraves do agronegócio, ele defende a visão de sistema. “Não podemos ser monoprodutores. Temos que ser poliprodutores. É a visão de sistema que nós estamos estimulando”, observou, falando do programa Duas Safras, que é a integração das atividades com cobertura de solo em todas as estações do ano. “Isso é para diluir custo, melhorar e diminuir a alavancagem”, falou, projetando que entre cinco e dez anos, mais de um terço das propriedades do Estado estarão produzindo, não só alimentos, mas também bioenergia.

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