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Regiões Norte e Noroeste poderão ter mais de 300 milímetros de chuva em novembro

Previsão é do Inmet, enquanto a NOAA estima precipitações acima da Normalidade Climática até janeiro em todo o RS

Meteorologista recomenda aos produtores o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo
Meteorologista recomenda aos produtores o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo Foto : Wenderson Araujo / Trilux / Divulgação / CP

A previsão de clima a todo o Rio Grande do Sul para o trimestre novembro, dezembro e janeiro indica que há 70% de probabilidade da precipitação ficar acima dos valores da Normalidade Climática (NC), segundo o consenso do International Research Institute for Climate Society (IRI).

A informação está em artigo da meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), publicado no site da autarquia nesta quinta-feira 29.

“O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, também prevê, para esses três meses, precipitações acima da Normalidade Climática em todo o Rio Grande do Sul”, menciona.

O NOAA é a agência americana responsável pelo monitoramento dos oceanos, da atmosfera e do clima, além da previsão do tempo e do acompanhamento de fenômenos climáticos.

“Por sua vez, o modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê precipitações acima da NC durante o mês de novembro, com destaque para o Norte e Noroeste do Estado, onde os acumulados podem superar 300 milímetros”, destaca.

Reflexos na Metade Sul

Jossana lembra que as regiões mencionadas influenciam em rios que banham a Metade Sul, como o Uruguai e o Jacuí. “Para dezembro e janeiro, este modelo prevê acumulados mais próximos à Normalidade Climática”, acrescenta.

“Ao se analisar um conjunto maior de modelos, mas que não estão expostos aqui, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC durante estes próximos três meses, com destaque para o Norte, em novembro, para o Noroeste, em dezembro, e para o Oeste, em janeiro.”

Menos radiação solar

A meteorologista esclarece que o El Niño foi declarado pela NOAA e seus efeitos no aumento da frequência e dos volumes de precipitação já estão sendo observados. “É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño ocorre durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027)”, ressalta.

“Em anos de El Niño, há aumentos da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, da temperatura média do ar, mas sem extremos, e da umidade relativa do ar.”

Visto a previsão do clima sobre as lavouras gaúchas, Jossana lista alguns cuidados e precauções a serem tomados pelos produtores:

* Aproveitar os períodos secos para fazer a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro em rotação, dentro do período recomendado. Outubro é um mês importante para a semeadura do arroz, e o prognóstico não se mostra favorável;

* Maior risco de enchentes em áreas próximas de rios. Logo, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;

* Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;

* Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas, devido ao maior volume e frequência de chuvas;

* A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno de 28°C, alta umidade relativa do ar (maior que 90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes e para a adoção do manejo preventivo;

* E, por último, mas não menos importante, é ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño durante a primavera-verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com consequente redução da produtividade de grãos.

Atenção às previsões

Jossana ainda recomenda o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias), como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.

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