Às vésperas do início do período da vindima – concentrado entre janeiro e fevereiro –, a safra no Rio Grande do Sul deve alcançar entre 750 milhões e 800 milhões de quilos de uva, volume de 5% até 10% superior ao do ciclo anterior. Segundo o presidente do presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Consevitis-RS), Luciano Rebellatto, a colheita está cerca de 15 dias atrasada em função do clima, e a qualidade final da produção dependerá da incidência de sol nas próximas semanas no Estado.
“Continuamos com a mesma previsão de uma boa safra, mas contamos agora com o período de sol para janeiro e fevereiro para que a gente tenha uma maturação plena das uvas”, observa.
Na avaliação dele, apesar da boa previsão, já houve safras superiores em 2000 e 2021, por exemplo, quando a quantidade ficou próxima a 950 milhões de quilos. Nos próximos meses, a tendência é que o volume projetado seja bom, no sentido de não causar excedentes.
Um acordo setorial estipulou o preço mínimo em R$ 1,80 o quilo, enquanto o custo de produção levantado pelos produtores está em R$ 1,82. “Nós estamos trabalhando com 2 centavos a menos do que o custo. Porém, o custo de produção, é baseado em 22 toneladas por hectare. Nós temos uma produção esse ano um pouco maior, chegando a 25 toneladas. Então, isso vai gerar, digamos assim, uma lucratividade nas propriedades. Claro que o produtor esperava mais como preço mínimo, mas o preço de comercialização também é ajustado pela oferta e procura”, explica.
Há dois anos, conforme Rebellatto, os preços ficaram bem acima do mínimo. Em 2025, por exemplo, o piso foi R$ 1,69 e o preço praticado pelo mercado, foi em torno de R$ 2. “Este ano, acreditamos que ainda vamos ter um preço um pouco acima dos R$ 1,80. Mas, como eu falei, oferta e procura é o que regula. Temos bastante oferta de uva, talvez esse preço caia um pouco e fique pelos R$ 1,80, R$ 1,85, falando de uva Isabel 15 graus, que seria o menor preço praticado”, destaca.
Seco e vinho
O Rio Grande do Sul é o maior produtor de uva no país, responsável por 90% da produção nacional, segundo o Departamento de Governança dos Sistemas Produtivos. Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul e Garibaldi são os municípios que mais se destacam no cultivo. Entre 80% a 85% da uva produzida no Estado, é da variedade híbrida ou americana, que são as uvas comuns, destinadas, principalmente, a sucos (aproximadamente 60%) e vinhos de mesa.
“O nosso mercado consumidor está mais ao centro do país, tanto de vinhos quanto de suco de uva”, diz.
As exportações ainda são tímidas, mas a entidade trabalha na abertura de mercados, especialmente para o suco, que tem menos exigências regulatórias. “O vinho tem um pouco mais de dificuldade de entrada em função, até mesmo da cultura que envolve o vinho brasileiro, como ele não sendo de boa qualidade. Já o espumante e o suco de uva têm características apreciadas lá fora.”
O setor está atento ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul devido à preocupação com a entrada de vinhos europeus no Brasil, com isenção de impostos de importação. “Eles vão chegar mais baratos aqui e estarão competindo diretamente com os nossos vinhos. Nós somos vistos por esses países como um país alvo na comercialização”, ressaltou, esclarecendo que há espaço para o crescimento das vendas, já que o consumo no Brasil é considerado baixo, 2,1 litro per capita, enquanto em países europeus a taxa é de 30 a 40 litros per capita.
“Vamos ser invadidos por vinhos com preços muito competitivos e aí cabe ao setor aqui buscar salvaguarda. Talvez restrições de volume de entrada, talvez subsídios do governo para que a gente consiga produzir também mais em conta”, sugere Rebellatto.