Rural

Sucessão rural desafia o agro gaúcho

Tema foi destacado por dirigentes do setor ao avaliar o Dia Nacional do Agricultor, comemorado nesta segunda-feira, 28

Responsável por artigos como soja, tabaco, arroz, milho, trigo e uva, entre outros, o agronegócio gaúcho tem sido fundamental para o bom desempenho da balança comercial do Estado
Responsável por artigos como soja, tabaco, arroz, milho, trigo e uva, entre outros, o agronegócio gaúcho tem sido fundamental para o bom desempenho da balança comercial do Estado Foto : Fernando Dias/DivulgaçãoAscom-Seapi/Cp

No Rio Grande do Sul, 12,49% da população, o equivalente a 1,35 milhão de pessoas, vive no meio rural. Desse total, cerca de 800 mil são agricultores familiares. Os dados são citados pelo presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, para evidenciar a robustez do setor primário no Estado em dia de celebração.

Nesta segunda-feira, 28, é comemorado o Dia do Agricultor em todo o país, conforme o decreto nº 48.630, de 1960, instituído para reverenciar aqueles que se dedicam ao cultivo da terra, “transformando em riqueza dinamizada as dádivas naturais”, como afirma o texto da legislação. A data, porém, também suscita alertas, como a necessidade de ações para o futuro do campo ganhar novos protagonistas.

Responsável por artigos como soja, tabaco, arroz, milho, trigo e uva, entre outros, o agronegócio gaúcho tem sido fundamental para o bom desempenho da balança comercial do Estado. De acordo com Schwerz, junto com os desafios climáticos, a continuidade do trabalho rural de geração para geração é uma das principais preocupações na atividade.

“Para falarmos de perspectivas de futuro, precisamos fomentar a sucessão rural”, afirma Schwerz, referindo-se ao combate ao êxodo de jovens do campo para as cidades.

Solucionar a dívida


“Nós temos um grande problema que é o envelhecimento do meio rural e se, não construirmos um futuro positivo, a juventude vai embora”, avalia o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva.

“Estar ligado à terra é mais do que uma missão. É uma paixão, mas tem problemas latentes, como a questão do endividamento do produtor rural”, diz Carlos Joel.

Conforme cálculos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o endividamento rural no Estado atinge R$ 72,82 bilhões. Para o agricultor voltar a ter renda, Joel afirma que são necessárias melhorias em políticas de longo prazo no Brasil, no seguro rural e no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

“Não sabemos o que vai acontecer com os produtores. Muitos poderão não plantar por causa do endividamento ou poderemos ter uma próxima safra comprometida em relação a tamanho ou produtividade. E ainda tem a questão do tarifaço dos Estados Unidos”, diz o presidente da Fetag.

Política nacional

A permanência da juventude no campo está entre os principais objetivos da Lei 15.178, que institui a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural. A legislação, que entrou em vigor no dia 24, pretende reduzir a migração de jovens para os centros urbanos e garantir a sua permanência, com qualidade de vida, nas comunidades rurais. A nova norma, de acordo com a Agência Senado, traz iniciativas ligadas à sucessão na propriedade da agricultura familiar. O público-alvo são jovens de 15 a 29 anos da agricultura familiar.

A política atua em setores como acesso à terra e ao crédito rural; parcerias com instituições de ensino e pesquisa e entidades do Sistema S; acesso à educação no campo; e apoio à criação de cooperativas e associações de jovens agricultores. Com a publicação da lei, fica autorizada a criação de linhas de crédito específicas, com condições diferenciadas para diminuir os riscos dos empréstimos.

Eventos climáticos

No enfrentamento aos efeitos de eventos climáticos extremos, o presidente da Emater/RS-Ascar considera que o cenário exige adaptações por parte dos produtores rurais.

“Isso passa pela melhoria da qualidade dos solos agrícolas”, avalia Schwerz.

Schwerz destaca a validade de programas como o Terra Forte, uma política do governo do Estado que beneficia diretamente 15 mil famílias e que alcança até 150 mil unidades produtivas em 495 municípios do Rio Grande do Sul. Ainda que os prognósticos indiquem um ciclo de neutralidade meteorológica nos próximos meses, com pequena probabilidade de ocorrência de La Niña, Schwerz não descarta a possibilidade de adversidades.

“Mais do que nunca, (é preciso) manter o foco nas estratégias de resiliência que envolvem conhecimento”, sugere Schwerz.

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