A reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, foi o local de encontro, nesta sexta-feira, 9, entre a instituição de ensino e representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para tratar da eventual cedência de parte da área da Estação Experimental Agronômica (EEA), da Faculdade de Agronomia, em Eldorado do Sul, para famílias de assentados desabrigadas pelas enchentes do ano passado.
“Somos sensíveis a isso (à situação dos desabrigados), mas não é num terreno em que se faz ciência que a gente vai resolver o problema”, disse a reitora Márcia Barbosa ao final da reunião, salientando que a universidade permanece aberta ao diálogo.
“Ficou claro que a gente quer ajudar a resolver o problema. Essa é uma reitoria que está sempre com as portas abertas, vamos continuar recebendo as pessoas e conversando”, acrescentou a reitora.
Demonstrar o uso
Para a reunião, Márcia convidou direções e pesquisadores das áreas de agronomia, de veterinária, de biociências, de geologia, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, que desenvolvem trabalhos na EEA, para demonstrar ao MST e ao Incra que se trata de terra “totalmente utilizada para fazer pesquisas”.
Os estudos contemplam desde “a agricultura familiar até tratamento de solo e pesquisas que vão apoiar o agronegócio do Rio Grande do Sul. Não se ocupa a terra que está produzindo conhecimento”, disse Márcia.
Sugestão do vice
A sugestão de ceder área da Estação Experimental às 18 famílias do assentamento Integração Gaúcha partiu do vice-governador Gabriel Souza. A proposta foi apresentada ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em reunião no Palácio Piratini no dia 9 de janeiro.
Em contrapartida à entrega do espaço, a UFRGS receberia, do governo gaúcho, outra área em Santana do Livramento, na Região da Campanha.
Famílias do assentamento Integração Gaúcha, também em Eldorado do Sul, pedem transferência após serem afetados por inundações, incluindo as enchentes de maio de 2024.
Dois hectares
Relatório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul e Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Emater/RS-Ascar) sobre a área do assentamento atesta que, dos 1,2 mil hectares, apenas dois hectares ficaram comprometidos em razão das enchentes. O restante da área segue apto para cultivo e habitação.
A Estação Experimental Agronômica é um órgão auxiliar da Faculdade de Agronomia, com uma área total de 1.560 hectares. No local, é conduzida a parte de campo da maioria das pesquisas desenvolvidas por professores e alunos de Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária, Biociências e Hidráulicas (IPH). Atende ainda programas de pós-graduação em Ecologia, Ciência do Solo, Zootecnia, Fitotecnia e Ciências Veterinárias.