Está tramitando pelas comissões internas do Legislativo de Cachoeirinha o Projeto de Lei, de autoria dos vereadores Léo da Costa e Paulinho da Farmácia, que visa regulamentar as condições de trabalho de entregadores de aplicativos e serviços de entrega no município. A proposta, que deve entrar em votação até o final de junho, proíbe que esses profissionais sejam obrigados a subir em prédios residenciais ou comerciais para concluir entregas. Pelo texto, o local padrão de entrega passa a ser a portaria, recepção ou entrada principal dos condomínios, cabendo ao consumidor retirar o pedido.
O projeto prevê exceção para pessoas com mobilidade reduzida, com deficiência, idosos, gestantes e lactantes, que poderão solicitar previamente a entrega em áreas comuns internas do prédio. De acordo com o vereador Léo da Costa, a medida surge após episódios recentes de conflito envolvendo entregadores na cidade e tem como objetivo garantir mais segurança, evitar constrangimentos e padronizar os procedimentos de entrega. Para o parlamentar, a iniciativa busca promover respeito, reduzir riscos e evitar situações de conflito, fortalecendo a dignidade dos profissionais que atuam no setor.
Em caso de descumprimento, a proposta estabelece advertência na primeira ocorrência e multa em caso de reincidência, com regulamentação a ser definida pelo Poder Executivo. O texto também determina que condomínios deverão se adequar, em até 180 dias, criando espaços apropriados e seguros para recebimento de encomendas, assegurando melhores condições tanto para trabalhadores quanto para moradores.
Recentemente representantes do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do RS (Sindimoto-RS) fizeram uso da tribuna popular e pleitearam junto aos vereadores a aprovação da proposta. O delegado sindical do Sindimoto-RS, o motoboy Rodrigo Farias, conhecido como Digão das Tele, argumentou que, embora a realização de uma entrega pareça algo simples, muitos transtornos acontecem por não haver regulamentação. Clientes eventualmente pedem para que a entrega ocorra na porta do apartamento e não no portão do prédio, então surgem os impasses.
"Alguns condomínios deixam que a gente entre, outros não. O problema maior é que não permitem ingressar com a moto, querem que a gente vá a pé e deixemos nossa ferramenta de trabalho na rua, à mercê de roubos e avarias", contextualizou, solicitando que os demais parlamentares sejam favoráveis ao projeto, o que deixaria a categoria agradecida.