Os trabalhadores em educação da rede municipal de Canoas votaram e decidiram, em assembleia geral realizada na última segunda-feira, pela continuidade da greve. O seguimento do movimento paredista da educação é uma resposta do rompimento do diálogo do prefeito Airton Souza com o Sindicato dos Profissionais da Educação de Canoas (Sinprocan) e o Comando de Greve que, de acordo com os grevistas, foi considerado um golpe na educação.
Na quinta-feira, em meio às negociações com os educadores, o prefeito enviou ao Legislativo, em caráter de urgência, dois projetos de lei determinando como será feito o pagamento do reajuste dos profissionais. Ambos os projetos foram aprovados pelos parlamentares. Na manhã desta terça-feira, os profissionais da educação participam de uma reunião juntamente com a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, em que a categoria apresenta suas principais reivindicações.
A greve, forte, legítima e construída coletivamente, teve a participação de 46% dos profissionais das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e de 28% dos profissionais das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs). O professor Jonathan Zotti da Silva, que está no comando de greve, disse que mais uma vez foi decidido pela manutenção do movimento grevista, porém, segundo ela, foi a primeira assembleia que houve falas bem divididas. "Foi uma assembleia forte, com debates. Na verdade, a categoria entende que já está difícil avançar nas negociações com o governo, porque eles fecharam a porta e que daqui em diante vai ser via judicial."
EXECUTIVO CHEGOU AO LIMITE DA CAPACIDADE FINANCEIRA
A prefeitura de Canoas informa que recebeu com preocupação a decisão dos profissionais da Educação de manter a greve. A administração reforça que sempre manteve o diálogo aberto com a categoria, mas destaca que a proposta apresentada chegou ao limite possível dentro da capacidade financeira do Município. A Câmara já aprovou os projetos encaminhados pela prefeitura que garantem o pagamento do Piso Nacional do Magistério já no próximo salário e a reposição salarial dos servidores da educação em seis parcelas, conforme proposta final construída durante o processo de negociação.
Além dessas medidas, a atual gestão já avançou em pontos importantes para a valorização dos profissionais e a qualificação da rede, como a concessão do vale-alimentação, a realização de concurso público, a contratação de 500 monitores de inclusão, a retomada das eleições para diretores, a correção de descontos de aposentados e a manutenção do auxílio-transporte. Mesmo com os avanços, a paralisação segue impactando uma parcela de estudantes e suas famílias.
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