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Greening: o inimigo da bergamota, da laranja e do limão

Com alta capacidade de contágio, a doença causa prejuízo aos pomares gaúchos

Plantas com 30% da copa com sintomas produzem em média 45% menos
Plantas com 30% da copa com sintomas produzem em média 45% menos Foto : Eduardo Augusto Girardi / Embrapa / CP

Desde a identificação do foco de greening no Rio Grande do Sul, o monitoramento da área segue em andamento, enquanto são aguardados os resultados das análises laboratoriais que irão orientar as próximas medidas. Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, os laudos serão fundamentais para definir as ações futuras.

"Estamos aguardando esses resultados para verificar quais serão os desdobramentos. Precisamos saber se houve alastramento da doença, se haverá necessidade de monitorar outras áreas que inicialmente não estavam previstas. Enfim, todo o trabalho será conduzido conforme os laudos laboratoriais forem concluídos e analisados", explica.

O foco da doença identificado no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, já foi erradicado, com monitoramento em um raio de 500 metros ao redor da propriedade onde a planta contaminada foi encontrada. De acordo com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), responsável pela ação, a principal hipótese para a introdução do greening no Rio Grande do Sul é o uso de mudas irregulares já contaminadas.

O objetivo do monitoramento é impedir que a doença se espalhe e atinja os pomares comerciais. Conforme Felicetti, o impacto econômico de uma disseminação seria significativo.

"Nós temos em torno de 10 mil produtores de citros no Rio Grande do Sul. A maioria é formada por agricultores familiares, e cerca de 70 municípios dependem da citricultura como atividade econômica importante. Portanto, o impacto seria muito grande. Além disso, o inseto vetor da doença, o psilídeo Diaphorina citri, já está presente no Estado há bastante tempo e é capaz de transmitir a bactéria de plantas doentes para plantas sadias. Nossa maior preocupação é que se estabeleçam plantas infectadas no Rio Grande do Sul e que, a partir delas, a doença passe a se disseminar não apenas em pomares domésticos, mas, principalmente, nas plantações comerciais de citros", afirma.

O que é o greening

O termo greening (Huanglongbing/HLB) deriva do inglês, to green (esverdeamento) e serve para caracterizar a doença que causa uma maturação irregular nos frutos dos citros. Sem cura, com alta capacidade de contágio e poder destrutivo, causa perdas às produções, elevando custos e diminuindo a qualidade.

No Brasil, a bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus é a principal causadora da doença, sendo transmitida por um inseto vetor, o psilídeo Diaphorina citri, que voa longas distâncias e migra de áreas sem manejo para os pomares comerciais. Uma vez contaminadas, as plantas definham ao longo do tempo e não alcançam seu potencial produtivo.

Quanto mais jovem a planta é infectada pelo greening, mais rápido é o avanço da doença, tornando-se improdutiva. Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), plantas com 30% da copa com sintomas produzem em média 45% menos do que uma planta sadia. Além disso, aumenta a queda prematura desses frutos, reduzidos em tamanho e quantidade.

Frutos com ramos que apresentam sintomas tem características alteradas, como aroma, menor conteúdo de suco e maior acidez, o que impacta na qualidade do produto final. Para minimizar os efeitos e conter o avanço da doença, são elevados os custos de produção, pois o manejo dentro e fora das propriedades envolve equipamentos, inseticidas, eliminação de plantas doentes e novas mudas.

O greening, que pode afetar todas as espécies de citros, não tem cura e as plantas infectadas devem ser eliminadas, sendo fontes de contaminação permanentes dentro do pomar. A população de insetos responsáveis pela infecção aumenta em propriedades onde não há a eliminação e controle inadequado do psilídeo. O monitoramento do inseto e das brotações deve ser realizado constantemente, para definição do momento ideal e os intervalos das aplicações de inseticidas.

*com supervisão de Karina Reif

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