Uma base robusta de estatísticas sobre a agricultura familiar brasileira de diversas fontes, com acesso fácil e gratuito para pesquisadores e organizações sindicais. É o que promete o Portal de Dados da Agricultura Familiar, uma plataforma de pesquisa online disponibilizada no novo site do Observatório da Agricultura Familiar, lançado na terça-feira (3). A ferramenta integrada permite consultar informações dos Censos Agropecuários, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) por estado e município, gerando gráficos e relatórios produzidos por inteligência artificial.
Segundo o coordenador executivo do Observatório, André Michelato, o Portal busca tornar mais acessível o conhecimento científico sobre a agricultura familiar, de forma que as informações possam ser utilizadas em pesquisas, políticas públicas e estratégias de desenvolvimento rural. Em live de lançamento do site no Youtube, Michelato explicou que o Observatório surgiu em 2011 como um projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), mas perdeu fôlego e começou a ser retomado em 2021, com a publicação de análises e estudos sobre a agricultura familiar.
“Começamos a fazer uma articulação para que não ficasse restrito à UFES. A partir desse movimento, conseguimos organizar (o projeto) em rede. Hoje, já temos seis universidades e um instituto federal, estamos no processo de consolidação dessa rede”, disse Michelato. No Rio Grande do Sul, pesquisadores da Ufrgs fazem parte do projeto coletivo.
O analista de dados Alcione Rafael Pavan apresentou a interface de pesquisa do Portal, que em uma segunda etapa contará com dashboards interativos e mapas interativos georreferenciados. A ferramenta deverá agregar também dados sobre estrutura fundiária, distribuição de terras no Brasil e compras públicas da agricultura familiar, entre outros.
“A ideia é facilitar o acesso as bases oficiais (...), para que todos, desde um estudante, gestor ou pesquisador, consigam entrar e baixar esses dados de forma simplificada”, destacou Pavan.
O setor no RS
Com base em uma consulta no Portal, o Rio Grande do Sul tinha, em setembro deste ano, 204.230 unidades familiares com CAF ativo em 495 municípios, somando 370.261 membros — uma média de 1,81 pessoa por família. Do total de membros registrados, 168.420 eram mulheres (45,5%) e 201.841 homens (54,5%). Os jovens de 16 a 29 anos somam 43.069 pessoas (11,6% dos membros), sendo 17.897 mulheres (41,6%) e 25.172 homens (58,4%).
Das famílias, 188.779 (92,4%) não têm uma caracterização específica nas fontes de pesquisa. O grupo específico mais numeroso é o dos assentados da reforma agrária, com 10.058 unidades familiares (4,9%). Na sequência vêm os beneficiários do crédito fundiário, com 2.624 (1,3%); os quilombolas, com 1.031 (0,5%); outros povos e comunidades tradicionais, com 978 (0,5%), e os indígenas, com 768 (0,4%).
A agropecuária é a principal atividade desenvolvida por 97,3% das unidades familiares, enquanto pesca artesanal (1,2%), extrativismo (0,8%), silvicultura (0,6%) e aquicultura e maricultura (0,1%) aparecem de forma minoritária. Entre os municípios, Canguçu lidera em número de grupos dedicadas à agricultura familiar, com 4.789 famílias (2,3%), seguido por São Lourenço do Sul (2.808; 1,4%) e Venâncio Aires (2.014; 1%).
