Frequentemente assolado por estiagens que comprometem a produção de grãos, o Rio Grande do Sul tem apenas 4% das lavouras de sequeiro cobertas por tecnologias de irrigação, o que significa pouco mais de 300 mil hectares plantados com cultivos como milho e soja. Mudar esse cenário é o objetivo do programa estadual Irriga+RS, que oferece subsídio a produtores rurais interessados em implantar ou ampliar esse tipo de sistema. Lançada no mês passado, a terceira fase da ação já recebeu em torno de 100 projetos, de acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), coordenadora da iniciativa.
O Irriga+RS prevê um aporte financeiro, por parte do governo gaúcho, equivalente a 20% do valor do projeto. Os recursos são pagos diretamente aos produtores rurais, que podem financiar seus projetos com crédito bancário ou capital próprio. Na fase 3, a principal novidade é o aumento do teto para o pagamento do subsídio, que nas etapas 1 e 2 era de R$ 15 mil e R$ 100 mil por projeto, respectivamente, e agora é de R$ 150 mil por pessoa. “Então, se o produtor queria usar 100% da capacidade do pagamento de subvenção sobre os 20%, o projeto dele na fase 2 não poderia passar de R$ 500 mil. Na fase 3, pode chegar a R$ 750 mil”, observa o subsecretário de Irrigação da Seapi, Márcio Amaral.
Também foi lançada uma plataforma online (www.irrigamais.agricultura.rs.gov.br) para o envio de projetos em formato digital – antes, as propostas eram encaminhadas por e-mail. A mudança, afirma Amaral, dará mais agilidade no atendimento aos produtores por parte da Emater/RS-Ascar, responsável pela execução do programa.
Segundo o subsecretário, dos 1.297 projetos aprovados nas duas etapas anteriores, cerca de 500 já estão em andamento e já foram pagos, o que correspondente a R$ 7,1 milhões de um total de R$ 52 milhões já empenhados pelo governo do Estado. Com relação à distribuição dos projetos, 24% estão localizados na região do Alto Uruguai e Planalto, 25% nas regiões Noroeste e das Missões, 15% no Nordeste e na Serra Gaúcha, 14% na Fronteira Oeste, 12% nas Regiões Central e Metropolitana e 5% na Campanha e Zona Sul.
Os dados, explica Amaral, apontam que as regiões com maior percentual de irrigação concentram também o maior número de propostas cadastradas no programa. “Isso demonstra que, uma vez feito o sistema de irrigação (pelo produtor), o seu vizinho ou ele mesmo busca ampliar aquela área, porque viu que é uma maneira de segurar a sua atividade”, destaca. A maior parte dos projetos (57%) envolve culturas de sequeiro, como soja e milho. O restante (24%) é focado em pastagens para pecuária leiteira e de corte, fruticultura (11%), olivicultura (7%) e outras finalidades (1). Entre as tecnologias de irrigação, predominam os sistemas de pivô (43%) e aspersão convencional (33%), informa o subsecretário.
O prazo para o encaminhamento de propostas do Irriga+RS vai até 30 de outubro, e a execução deve ocorrer em até 12 meses após a emissão da Declaração de Enquadramento.
