Rural

Vínculo com comunidades é a essência do cooperativismo de crédito

Sicredi Pioneira foi, em 1902, a precursora do sistema em Nova Petrópolis, e hoje é atuante no desenvolvimento da região

Schmidt, em frente à foto da casa que originou o Sicredi: "As cooperativas de crédito nasceram para transformar o mercado"
Schmidt, em frente à foto da casa que originou o Sicredi: "As cooperativas de crédito nasceram para transformar o mercado" Foto : Leandro Mariani Mittmann / Divulgação / CP

Os muitos e generalizados efeitos econômicos e sociais promovidos localmente pelo sistema de crédito cooperativo foram ressaltados por Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira, em Nova Petrópolis, sexta-feira, em um dos eventos da programação do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, encontro que reuniu, por três dias, mais de 60 comunicadores de 17 estados.

O município é considerado a capital e o berço do cooperativismo brasileiro, pois foi no local que nasceu o sistema, em 1902, por iniciativa do padre de origem suíça Theodor Amstad e mais outros 20 moradores, que criaram a primeira cooperativa de crédito do país, que originou o Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi.

À frente da imagem da casa de 39 metros quadrados (construção que ainda é preservada, na linha Imperial), a residência do primeiro gerente da cooperativa e o ambiente em que os primeiros associados foram atendidos, o executivo destacou que a Sicredi Pioneira atua em 21 municípios da Serra e Vale dos Sinos, que congrega 1,125 milhão de habitantes, dos quais 335 mil são associados.

E há municípios que 60%, 70%, 80%, 90% e até 96% da população é associada, como Presidente Lucena, que dos 4.200 habitantes, 4.100 são cooperados. Muitos são integrados com um dia de vida, e mencionou ainda uma pessoa que tem 92 anos de idade, o mesmo tempo de associado. “Se a gente for para o Paraná, Santa Catarina, Pará, Nordeste, centro do Brasil, é dessa forma que as cooperativas normalmente atuam, criando vínculo com as comunidades”, acrescentou.

Schmidt listou uma série de números financeiros da cooperativa de crédito no ano passado, como o volume de R$ 14 bilhões depositados pelos associados e R$ 7 bilhões de crédito concedido pela instituição, o que significa um terço de todos recursos emprestados pelos bancos às comunidades dos 21 municípios.

Agricultura

“As pessoas físicas são quem alimentam esse recurso para viabilizar o crescimento da nossa região e a gente enxerga isso no PIB”, ressalta. Da carteira de crédito da Sicredi Pioneira, 20% é para a agricultura, além de 66% para empresas. Ao todo, a instituição administra R$ 20 bilhões em recursos. E o resultado financeiro, que seria o “lucro” caso fosse uma empresa privada, foi de R$ 220 milhões em 2025.

“É importante esse número? Superimportante e relevante, inclusive. Mas, enquanto cooperativa. Se fosse um banco, só um banco, ele olharia só para esse número, que é o número que importa. Enquanto cooperativa, a gente precisa olhar para outros números”, disse, ao listar as muitas ações que beneficiam pessoas, negócios e iniciativas sociais nas localidades promovidas pela Sicredi.

“Para algumas pessoas a participação do resultado é mais importante. Para outras, é o custo mais baixo. Para outras são os programas sociais ou educacionais que as cooperativas do Sicredi desenvolvem nas comunidades”, acrescentou.

“Então, eu costumo dizer que por ser cooperativa, pelo nosso modelo de negócio cooperativista, as cooperativas não nasceram para se adaptar ao mercado, as cooperativas de crédito nasceram para transformar o mercado.”

Ciclo virtuoso

E todo o sistema cooperativista se retroalimenta entre o associado e a sua instituição, lembrou o diretor.

“É um ciclo virtuoso e a gente precisa ter clareza desse ciclo. Não existe cooperativa rica numa sociedade de pobre. Se o nosso propósito é construir prosperidade da sociedade, o nosso grande propósito é gerar prosperidade das pessoas, quanto mais prósperas forem as comunidades, mais próspera vai ser a cooperativa também. A gente trabalha sempre com esse olhar integral, com equilíbrio entre o econômico e o social”, argumentou.

“Então, se existe uma forma líquida e certa de gerar riqueza e manter a riqueza nas comunidades é por meio do cooperativismo de crédito.”

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