Elisa Fernandez

Então é Natal…

Elisa Fernandez reflete sobre o cansaço de dezembro, o acolhimento do Natal e a importância de desacelerar em meio às cobranças do encerramento do ano

Entre o cansaço e o afeto, dezembro também pode ser pausa, acolhimento e um jeito mais gentil de chegar ao Natal
Entre o cansaço e o afeto, dezembro também pode ser pausa, acolhimento e um jeito mais gentil de chegar ao Natal

Cara leitora,

Confesso que comecei este texto com saudade. Ficar um mês longe da coluna foi necessário; às vezes, a gente precisa sair de cena para dar conta do resto da vida. Volto exausta, sim, mas curiosamente leve. Porque dezembro tem esse efeito contraditório: cansa e acolhe ao mesmo tempo, muito parecido com o próprio Natal.

O fim do ano sempre chega com um certo clima de fim de mundo, não acha? Uma sensação coletiva de que precisamos fazer tudo, viver tudo, resolver tudo agora, como se não houvesse amanhã. E talvez até não haja mesmo, mas… precisa ser nessa velocidade toda? Parece que há um desespero que paira no ar e contamina até aquilo que deveria ser mais simples, inclusive o Natal.

Apesar da loucura, eu adoro essa época. Especialmente por um motivo simples e absolutamente terapêutico: os filmes de Natal. Se existe um jeito infalível de entrar no clima, é abrir o streaming e escolher um daqueles filmes que misturam caos familiar, romance improvável, trilha sonora acolhedora e uma neve que claramente não existe, mas a gente finge que acredita. Vira tradição. E tradição, em dezembro, vira quase um abrigo, quase um pequeno Natal particular.

Entre os clássicos que reassisto sem nenhuma culpa está O Amor Não Tira Férias. Sim, o da Cameron Diaz com a Kate Winslet, Jude Law e Jack Black. Ouso até dizer que um clássico “dos tempos atuais” de Natal. A troca de casas, as lareiras sempre acesas, o frio elegante, os encontros inesperados que acontecem quando a vida decide dar uma pausa, ou dar um empurrãozinho. Já vi mil vezes. Sei exatamente o que vai acontecer. E, ainda assim, todo ano, eu volto. Talvez porque o Natal também seja isso: repetir rituais que confortam.

Faço questão de criar o clima completo: tranco a casa, ligo o ar-condicionado no mínimo possível, puxo a coberta até o queixo e finjo que lá fora não estão 30 graus. Por duas horas, eu escolho esse inverno cenográfico, esse conforto emocional embalado em finais felizes previsíveis. E, convenhamos, nessa época do ano, previsibilidade é quase um alívio, quase um presente de Natal.

Talvez seja por isso que esses filmes toquem tanto. Eles não prometem milagres, mas oferecem pausas. Lembram que recomeços nem sempre são grandiosos; às vezes, vêm silenciosos, disfarçados de mudanças simples, de um novo endereço ou de um novo olhar sobre a própria vida. E que nem todo encerramento de ciclo precisa ser épico. Alguns só pedem acolhimento. E é nesse acolhimento que me identifico com o Natal: o acolhimento da família, dos amigos que são a família que escolhemos, o amor, carinho, cuidado. Talvez seja sobre isso, não acha?

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No meio de um dezembro acelerado, talvez o maior gesto de cuidado seja permitir-se desacelerar. Desligar um pouco do barulho, baixar a guarda, aceitar que nem tudo será resolvido antes da virada do calendário. Que está tudo bem chegar cansado ao fim do ano. Que continuar também é vitória, e isso também é Natal.

Que este Natal chegue menos como cobrança e mais como abraço. Que ele encontre você exatamente onde estiver, inteiro ou em pedaços, e leve consigo a lembrança de que sempre é tempo de recomeçar, mesmo sem trocar de casa, cidade ou país.

Desejo a você e à sua família um Feliz Natal. Daqueles de verdade. Com presença, afeto, pausas necessárias e a certeza de que, apesar do caos, ainda vale muito a pena acreditar.

Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
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