Lu Brito

Empreendedorismo como potencial inovador das favelas

Lu Brito mostra como a criatividade das favelas transforma a escassez em inovação

O Expo Favela Innovation RS promove visibilidade e protagonismo para empreendedores da favela
O Expo Favela Innovation RS promove visibilidade e protagonismo para empreendedores da favela Foto : Galeria Expo Favela Rio Grande do Sul / Reprodução / CP

Nas laterais da cidade, nos extremos onde muitas pessoas veem apenas problemas, nascem as ideias mais criativas. Há anos, o empreendedorismo nas favelas brasileiras vem se firmando como algo além da sobrevivência, mas sim, como um avanço significativo na inovação, trazendo soluções adaptadas de protagonismo.

Negócios feitos na comunidade para a comunidade, que enfrentam barreiras enormes, mas que possuem uma vantagem que muitos negócios no centro não tem: o conhecimento do terreno, proximidade e agilidade na resolução do problema.

Eu gosto muito de uma fala incrível da Monique Evelle que retrata super a visão da sociedade: da “inovação” do Vale do Silício a “gambiarra” das periferias, questionando essas afirmações. A autora defende que a “gambiarra” ou a habilidade de criar e adaptar com poucos recursos tem um potencial inovador e político no contexto das comunidades periféricas, propondo uma nova forma de empreender.

Inovar nas favelas é mais do que tecnologia ou aplicativos interessantes; é perceber as dores locais, criar serviços e desenhar soluções de baixo custo. São negócios resilientes e com alto impacto social. É sobre usar a a escassez como matéria-prima criativa, transformando as restrições em diferencial competitivo, algo que nossos ancestrais já faziam muito antes de nós.

Por isso, destaco a importância de eventos de inovação focados em dar visibilidade e protagonismo para potenciais empreendedoras que ainda estão essa invisibilidade. Há três edições, nosso ecossistema promove um encontro atento a esse olhar, e ele acontece aqui em Porto Alegre: o Expo Favela Innovation Rio Grande do Sul.

Mais do que um evento, é uma verdadeira imersão de dois dias, com palestras, workshops, exposições, rodadas de negócios, pitches de startups, mentorias, debates, cursos, shows e muitas outras iniciativas voltadas a empreendedores de diferentes regiões do nosso estado. Realizado pela CUFA – Central Única das Favelas, a edição deste ano acontece nos dias 7 e 8 de novembro.

Nós, empreendedoras, sabemos a importância de ter um espaço como este: de conexão com investidores e visitantes, com uma estrutura que inclui estande, identidade visual, mentorias e suporte ao longo dos dias de evento, elementos fundamentais para impulsionar nossos negócios.

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Cada favela que se torna mais autônoma e mais inserida na economia formal contribui para diminuir a desigualdade. Essas inovações carregam potencial de escala e representam uma forma de justiça, de reconhecimento de talentos, de potência e de criatividade que, historicamente, foram e continuam sendo invisibilizados.

Eu, Lu Brito, que escrevo aqui para vocês e atuo como empreendedora há mais de dez anos, sei a importância da visibilidade, principalmente para nós, mulheres empreendedoras que estamos no corre e nas favelas do RS. Fico feliz em ser voz e referência para tantas e poder contar com esse espaço de visibilidade tem um valor gigante.

Cada favela que se torna mais autônoma e mais inserida na economia formal contribui para diminuir a desigualdade | Foto: Galeria Expo Favela Rio Grande do Sul / Reprodução / CP

E aí, me conta! Conhece alguma empreendedora da favela?

Um abraço, fiquem bem e até a próxima coluna!


Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.