Queridas leitoras, que aqui me acompanham,
Esta coluna nasceu para falar de empreendedorismo, autonomia financeira, sonhos tirados do papel e mulheres que constroem caminhos próprios todos os dias. Mas há momentos em que falar apenas de negócio não é possível, e nem justo.
Hoje, este espaço muda de tema porque existe uma urgência maior: mulheres estão morrendo. E, entre elas, estão também empreendedoras, trabalhadoras, mães, líderes comunitárias, mulheres que sustentam casas, famílias e territórios. Mulheres que não chegam a ver seus projetos crescerem porque suas vidas são interrompidas pela violência de seus companheiros e ex-companheiros.
Não há como discutir prosperidade, crescimento ou independência econômica enquanto o direito básico à vida segue sendo negado a tantas de nós. Carreiras e vidas só são possíveis quando existe segurança, proteção e dignidade. Os números estão aí para todos enxergarem: em 2025, 80 mulheres foram brutalmente assassinadas. Em 2026, já são 11 mulheres mortas no estado do Rio Grande do Sul.
É diante desse cenário que esta coluna abre espaço para uma pauta urgente e inadiável: a violência contra a mulher e o feminicídio no Rio Grande do Sul. A mudança de tema dialoga com iniciativas fundamentais da sociedade civil, como a campanha da Central Única das Favelas do Rio Grande do Sul (Cufa-RS): “O Rio Grande do Sul diz não à violência contra a mulher e ao feminicídio”, que mobiliza comunidades, periferias e lideranças para conscientizar, prevenir e salvar vidas.
- Esse ano não é sobre recomeçar, é sobre parar de aceitar menos
- A consciência negra como impulso para o empreendedorismo feminino
- E o intraempreendedorismo?
Com o objetivo principal de sensibilizar todas as esferas da sociedade, serão realizadas mais de 200 ações sobre o tema, com foco em conscientização e atuação direta nos territórios onde estão as mulheres mais vulneráveis.
No último sábado, dia 31/01, uma agenda da Cufa Montenegro promoveu uma palestra sobre o “Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha” e a Rede de Proteção, um trabalho importante que já vem sendo desenvolvido e discutido com a comunidade.
No dia 02/02, a agenda será em Caxias, no Centro de Juventude e Reconstrução, em um momento de sensibilização com alunos, pais e todo o território, falando sobre a importância de proteger as mulheres, independentemente da idade. No dia 04/02, haverá agenda com a Secretaria da Mulher, representando um avanço importante para essa pauta.
Falar sobre isso também é uma forma de consciência, responsabilidade social e transformação. Seguimos acreditando na força das mulheres. Mas, antes de tudo, é preciso garantir que elas sigam VIVAS!
A Cufa seguirá com uma agenda forte de eventos, reuniões, palestras, conscientização e mobilização, especialmente voltadas às mulheres das favelas e periferias de todo o estado, para que a comunicação chegue a todas.
Sigam as redes sociais da @cufars para informações e dúvidas e acessem o site da entidade (clique aqui). Compartilhe!
Hoje, a pauta é importante, urgente e necessária. Até logo!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.
