Lu Brito

Esse ano não é sobre recomeçar, é sobre parar de aceitar menos

Lu Brito propõe um olhar direto e político sobre empreendedorismo feminino, defendendo mais estrutura, poder e prosperidade para mulheres, especialmente negras e periféricas.

Apoiar mulheres também passa por onde se coloca o dinheiro, a atenção e as escolhas
Apoiar mulheres também passa por onde se coloca o dinheiro, a atenção e as escolhas Foto : Freepik / Divulgação / CP

Olá, trabalhadeiras!

Janeiro, além do verão, praia e sol, sempre chega carregado de promessas e muitas que, só de ler ou escutar, já sabemos que vai ser mais do mesmo.

Ano novo, vida nova, metas novas, mas reforço: metas alcançáveis. Seja gentil com você.

Eu sei que, para muitas mulheres, empreender é desafiador. Mulheres empreendendo é loucura. Mulheres negras, periféricas e empreendedoras… a pergunta que fica é outra: até quando vamos aceitar menos do que merecemos?

Fomos ensinadas a começar sempre do zero: lutas, falas, recomeçar depois do cansaço, da falta de apoio, da escassez de recursos, da dupla ou tripla jornada. Chamam isso de força, de resiliência e de superação. Mas eu sigo reforçando que existe algo perigoso nessa narrativa: ela normaliza a ausência de estrutura.

Não podemos iniciar mais um ano em que celebramos mulheres que “aguentam tudo”.

Precisamos celebrar mulheres que sabem e querem estar nas mesas de negociações e decisões em pautas como:

– Capital, não só incentivo

– Rede, não só discurso

– Acesso, não só promessa

– Poder de decisão, não só visibilidade sem dinheiro, sem monetização

O empreendedorismo feminino cresce e segue crescendo muito, sendo o único caminho para milhares de mulheres.

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Mas crescer sem políticas públicas, sem crédito justo, sem espaços de inovação diversos, inclusivos e sem cuidado coletivo, nos faz seguir mais um ano adoecendo diariamente e sem independência financeira. Empreender não pode continuar sendo sinônimo de solidão, dor, escassez ou anulação.

É a partir dessa inquietação que esta colunista se posiciona em 2026.

Ao longo do ano, você vai encontrar aqui conversas honestas sobre inovação, negócios e impacto, com presença nos principais eventos do ecossistema; programas que realmente apoiam empreendedoras; iniciativas que conectam propósito com recurso; e, claro, entrevistas com mulheres que estão construindo soluções reais, fora do discurso pronto, impactando na prática o dia a dia e que eu tenho o privilégio de estar conectada.

Esta coluna também será um espaço de circulação de poder. Vamos ter indicações de negócios, de empreendedoras para conhecer, comprar, contratar e fortalecer. Porque apoiar mulheres também passa por onde colocamos nosso dinheiro, nossa atenção e nossas escolhas.

O futuro não se constrói apenas com coragem individual, ele se constrói com decisão coletiva, investimento e rede.

Se 2026 quer ser diferente, ele precisa começar com uma ruptura, o que já faço há anos em palestras, rodas de conversa e eventos: parar de romantizar a luta e começar a estruturar a vitória.

Porque recomeçar cansa. Chega de romantizar a luta. Nosso projeto agora é permanência, poder e prosperidade. Combinado?

Comentem aqui um único objetivo real de vocês para esse ano.

Abraço dessa trabalhadeira aqui, em busca dos seus sonhos e objetivos, assim como vocês, nesse Brasil afora!

Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.