Olá, trabalhadeiras!
Janeiro, além do verão, praia e sol, sempre chega carregado de promessas e muitas que, só de ler ou escutar, já sabemos que vai ser mais do mesmo.
Ano novo, vida nova, metas novas, mas reforço: metas alcançáveis. Seja gentil com você.
Eu sei que, para muitas mulheres, empreender é desafiador. Mulheres empreendendo é loucura. Mulheres negras, periféricas e empreendedoras… a pergunta que fica é outra: até quando vamos aceitar menos do que merecemos?
Fomos ensinadas a começar sempre do zero: lutas, falas, recomeçar depois do cansaço, da falta de apoio, da escassez de recursos, da dupla ou tripla jornada. Chamam isso de força, de resiliência e de superação. Mas eu sigo reforçando que existe algo perigoso nessa narrativa: ela normaliza a ausência de estrutura.
Não podemos iniciar mais um ano em que celebramos mulheres que “aguentam tudo”.
Precisamos celebrar mulheres que sabem e querem estar nas mesas de negociações e decisões em pautas como:
– Capital, não só incentivo
– Rede, não só discurso
– Acesso, não só promessa
– Poder de decisão, não só visibilidade sem dinheiro, sem monetização
O empreendedorismo feminino cresce e segue crescendo muito, sendo o único caminho para milhares de mulheres.
- A consciência negra como impulso para o empreendedorismo feminino
- Netweaving: a nova forma de criar conexões genuínas
- E o intraempreendedorismo?
Mas crescer sem políticas públicas, sem crédito justo, sem espaços de inovação diversos, inclusivos e sem cuidado coletivo, nos faz seguir mais um ano adoecendo diariamente e sem independência financeira. Empreender não pode continuar sendo sinônimo de solidão, dor, escassez ou anulação.
É a partir dessa inquietação que esta colunista se posiciona em 2026.
Ao longo do ano, você vai encontrar aqui conversas honestas sobre inovação, negócios e impacto, com presença nos principais eventos do ecossistema; programas que realmente apoiam empreendedoras; iniciativas que conectam propósito com recurso; e, claro, entrevistas com mulheres que estão construindo soluções reais, fora do discurso pronto, impactando na prática o dia a dia e que eu tenho o privilégio de estar conectada.
Esta coluna também será um espaço de circulação de poder. Vamos ter indicações de negócios, de empreendedoras para conhecer, comprar, contratar e fortalecer. Porque apoiar mulheres também passa por onde colocamos nosso dinheiro, nossa atenção e nossas escolhas.
O futuro não se constrói apenas com coragem individual, ele se constrói com decisão coletiva, investimento e rede.
Se 2026 quer ser diferente, ele precisa começar com uma ruptura, o que já faço há anos em palestras, rodas de conversa e eventos: parar de romantizar a luta e começar a estruturar a vitória.
Porque recomeçar cansa. Chega de romantizar a luta. Nosso projeto agora é permanência, poder e prosperidade. Combinado?
Comentem aqui um único objetivo real de vocês para esse ano.
Abraço dessa trabalhadeira aqui, em busca dos seus sonhos e objetivos, assim como vocês, nesse Brasil afora!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.