Marina Käfer

E se a moda também tivesse legenda, e a pronúncia virasse estampa?

A colunista Marina Käfer conta como o Duolingo transformou a pronúncia de grifes famosas em estampas durante a Semana de Moda de Nova York

Peça da coleção traz a pronúncia fonética de Givenchy, transformando o nome da grife em elemento gráfico.
Peça da coleção traz a pronúncia fonética de Givenchy, transformando o nome da grife em elemento gráfico. Foto : Duolingo / Divulgação / CP

Duolingo transformou os nomes mais difíceis da moda em roupas, levando as pronúncias certas das marcas para a Semana de Moda de Nova York. Existe um tipo muito específico de constrangimento no universo da moda: reconhecer imediatamente uma marca quando vê seu nome escrito, mas travar na hora de pronunciá-lo, afinal, quem nunca ficou alguns segundos em silêncio antes de dizer Hermès, Givenchy, Loewe ou Jacquemus?

A pronúncia de Loewe aparece estampada no calçado da The Phonetic Collection. | Foto: Duolingo / Divulgação / CP

Foi justamente essa situação que o Duolingo decidiu transformar em moda. Durante a Semana de Moda de Nova York, a plataforma lançou “The Phonetic Collection”, uma cápsula de sete peças criada em parceria com a designer americana Megan O’Cain, participante da segunda temporada do reality Next in Fashion. A proposta é simples e bastante inteligente: colocar nas roupas a maneira fonética de pronunciar alguns dos nomes mais conhecidos, e mais complicados, da moda.

Bolsa brinca com a pronúncia de Hermès, uma das marcas citadas na campanha do Duolingo | Foto: Duolingo / Divulgação / CP

Uma bolsa verde-limão, por exemplo, traz “air-mess”, a grafia fonética usada para ajudar um falante de inglês a chegar à pronúncia de Hermès. Uma jaqueta apresenta “zhee-vahn-shee”, referência a Givenchy. Também aparecem nomes como Loewe, Jacquemus, Moschino e Comme des Garçons.

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E existe um dado por trás da brincadeira, uma pesquisa encomendada pelo Duolingo à YouGov mostrou que 62% dos americanos afirmam ter confiança de que sabem pronunciar Hermès, mas apenas 15% realmente acertam a pronúncia. Ou seja: existe uma diferença enorme entre saber reconhecer um nome e saber dizê-lo corretamente.

Jaqueta leva a pronúncia de Jacquemus para a estampa, unindo moda e aprendizado de idiomas. | Foto: Duolingo / Divulgação / CP

O levantamento também apontou que Jacquemus foi o nome de moda em que os entrevistados demonstraram menor segurança na pronúncia. Entre a geração Z, a taxa de acerto é mais alta do que entre Millennials, geração X e Baby Boomers, mas ainda fica abaixo de três em cada dez pessoas.

É aí que a coleção fica mais interessante. Não se trata simplesmente de colocar nomes engraçados em camisetas. A ideia de Megan O’Cain é pegar referências reconhecíveis da moda e reconstruí-las através de tipografia, proporções exageradas, alfaiataria, sportswear e acessórios. A pronúncia deixa de ser uma informação escondida e passa a ser parte da estética da roupa, é quase como transformar uma aula de idiomas em styling.

O mais legal dessas roupas, é o fato que não podemos comprar, e sim dar lances usando sua sequência de dias no aplicativo, em vez de dinheiro. A coleção também ganhou campanha pelas ruas de Nova York, incluindo a presença do famoso mascote verde da plataforma, quem não conhece, né?
A moda tem vocabulário próprio. Tem nomes franceses, italianos, japoneses, espanhóis. Tem termos que aprendemos vendo revistas, desfiles e redes sociais muito antes de aprendermos a pronunciá-los. E, muitas vezes, o conhecimento visual chega antes do conhecimento linguístico.

Você pode saber exatamente qual é uma bolsa da Hermès sem jamais ter precisado dizer “Hermès” em voz alta. O Duolingo encontrou justamente essa pequena falha entre conhecer e saber, transformou o erro em produto, conteúdo e experiência.

Talvez essa seja a parte mais contemporânea da coleção. Em vez de tratar o erro como algo constrangedor, ela o coloca literalmente no peito, na bolsa ou no sapato. Porque, nesse caso, errar a pronúncia não é mais um fashion faux pas. Virou estampa. ✨♥️

Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.