A possibilidade de uma federação com o PSB está em processo de “banho-maria” interno no PDT, segundo relatou o presidente nacional do partido, Carlos Lupi. Os pedetistas não fecham as portas, mas, atualmente, essa aliança ainda está longe de ocorrer.
“É uma conversa que começou lá atrás. Isso é um assunto que ainda está em banho-maria no partido. Primeiro, porque, se a gente não fizer o dever de casa, que é organizar uma boa nominata, não temos nem condição para sobreviver”, disse Lupi.
PSB e PDT chegaram a discutir uma federação às vésperas das eleições municipais de 2024, mas a ideia não saiu do papel. Mais recentemente, o novo presidente nacional do PSB, o prefeito de Recife, João Campos, deu declarações públicas de inclinação aos pedetistas. Em estágio bem mais avançado, o PSB também negocia com o Cidadania.
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“A minha preocupação hoje é organizar nominata e candidaturas que possam fazer o partido crescer. Se chegar no final do ano, ou no ano que vem, e vermos que é inviável a formação da nominata, então podemos discutir a federação. Não estou fechando a porta”, disse Lupi.
O dirigente partidário tem visitado diferentes cidades brasileiras a fim de organizar o partido para as eleições gerais do ano que vem – incluindo Porto Alegre, onde cumpriu agenda na segunda e terça-feira.
Lupi criticou federações de cunho eleitoral. “A federação, hoje, virou muito mais uma federação eleitoral do que política. As pessoas fazem a federação só para salvar seu partido. Para mim, uma federação tem que ter projeto, tem que ter o porquê de existir”, disse.
“Nós não somos partidos de negócio. Somos um partido que tem história, que tem fundamento, que tem raiz.”
Uma das principais preocupações em relação a alianças dessa natureza recai sobre a identidade do trabalhismo. “Tenho grande preocupação de não perder a identidade. O trabalhismo tem uma identidade que tem meio século. Surge com Getúlio (Vargas), na década de 1940. Agora, o PTB acabou. O PDT virou herdeiro único da história do trabalhismo. Eu vou jogar fora essa história? Não”, disse Lupi.
Apesar da crítica, o PSB talvez seja a única legenda que o PDT aceite dialogar para formar uma federação. Afinal, os partidos atuam de forma muito semelhante e aproximada tanto no Congresso Nacional, quanto em diversos municípios brasileiros. “E por isso a única conversa que eu tenho de possibilidade de aliança é com eles. É difícil, mas não estou descartando”, resumiu o dirigente nacional pedetista.