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Consumo de máquinas e equipamentos acumulou queda de 11,7%

Total de vendas atingiu R$ 23,44 bilhões em setembro de 2026

EUA mantêm-se como o maior mercado comprador do maquinário brasileiro
EUA mantêm-se como o maior mercado comprador do maquinário brasileiro Foto : Stara / Divulgação / CP

Segundo o relatório setorial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), os dados consolidados até a setembro de 2026 apontam que o setor de bens de capital mecânicos continua enfrentando um cenário de forte retração nos investimentos. No período de janeiro a setembro de 2026, o consumo aparente nacional de máquinas e equipamentos, resultado da aquisição de bens produzidos localmente e importados, acumulou queda de 11,7% em R$ constantes, totalizando R$ 284,11 bilhões.

No mês de setembro de 2026, o consumo aparente foi equivalente a R$ 31,81 bilhões, valor que representou estabilidade em relação ao mês de agosto, mas retração de 12,5% na comparação interanual contra setembro de 2025. O desempenho evidencia os efeitos do prolongado período de taxas de juros restritivas que vem impactando negativamente na atividade econômica doméstica.

A receita líquida total de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 23,44 bilhões em setembro de 2026 (a preços constantes), apresentando uma ligeira recuperação mensal de 2,8% em relação a agosto. No entanto, na comparação com setembro de 2025, houve um significativo declínio de 15,6%, resultando em retração de 13,4% na receita líquida de vendas nos primeiros nove meses do ano (jan-set/2026).

A debilidade do mercado doméstico continua sendo o principal fator de pressão sobre a indústria nacional. A receita líquida Interna no mês ficou em R$ 16,57 bilhões em setembro de 2026, apresentando queda de 2,7% contra agosto e de 19,2% em relação a setembro de 2025. Já o acumulado do mercado interno (Jan-Set/2026) registrou perda de 15,8% em termos reais, somando R$ 148,74 bilhões.

Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 16 de setembro de 2026, a taxa básica de juros (Selic) foi mantida no patamar de 13,75% ao ano. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,22%, na ocasião, os juros reais do país permanecem entre os mais altos do mundo.

Exportações Mantêm Saldo Positivo no Acumulado do Ano

As vendas externas das indústrias brasileiras de máquinas e equipamentos continuam fornecendo uma importante sustentação para o setor. Em setembro de 2026, as exportações totalizaram US$ 1,34 bilhão (FOB), registrando um salto de 12,8% frente a agosto e estabilidade (+0,8%) em relação a setembro de 2025.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações alcançam US$ 10,15 bilhões, o que representa uma expansão de 5,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Estados Unidos mantêm-se como o maior mercado comprador do maquinário brasileiro, com US$ 2,58 bilhões absorvidos no ano (+6,4% em relação a 2025), correspondendo a 25,4% do total exportado. Argentina permanece na segunda posição, porém com expressiva queda de 12,3% no ano, somando US$ 1,05 bilhão (10,3% de participação). Singapura consolida-se no 3º lugar, somando US$ 668,5 milhões (+7,7%), puxada pelo fornecimento de equipamentos petrolíferos e navais. Paraguai apresenta forte avanço de 16,8%, totalizando US$ 543,4 milhões.

Entre os grupos setoriais com melhor desempenho no ano destacam-se Componentes para Bens de Capital (+18,2%, US$ 2,87 bilhões), Logística e Construção Civil (+12,7%, US$ 3,10 bilhões) e Máquinas para Agricultura (+10,9%, US$ 1,46 bilhão). Por outro lado, o segmento de Petróleo e Energia Renovável sofreu retração acentuada de -53,9% (US$ 334,6 milhões).

Avanço das Importações e a Concentração no Fornecimento Chinês

Enquanto a receita no mercado interno brasileiro se retrai, a entrada de máquinas importadas no país continua em ascensão. Em setembro de 2026, o Brasil importou US$ 2,79 bilhões em equipamentos mecânicos, com alta de 1,3% na comparação interanual com setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as importações somam US$ 24,99 bilhões, registrando alta de 4,8% frente ao ano anterior.

O saldo da balança comercial de máquinas e equipamentos foi deficitário em US$ 14,84 bilhões de janeiro a setembro de 2026.

De janeiro a setembro de 2026, os equipamentos importados responderam por 47,6% de todo o consumo aparente nacional. Em relação ao mesmo período de 2025 (45,1%), trata-se de um ganho de 2,5 pontos percentuais de participação de mercado pelos produtos estrangeiros.

A China consolidou sua posição dominante como a principal origem do maquinário importado pelo Brasil. As compras de máquinas chinesas alcançaram US$ 9,01 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, representando um expressivo crescimento de 17,7% frente a 2025.

A China passou a responder por 36,0% de todas as importações brasileiras de máquinas e equipamentos (frente a 32,1% em 2025). Em contraste, as importações originadas dos Estados Unidos recuaram 2,0% (US$ 3,66 bilhões) e da Alemanha caíram 0,7% (US$ 2,88 bilhões).

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