O custo de produção do leite no Rio Grande do Sul subiu 2,69% em abril, segundo apurou o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC), elaborado pela equipe econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul) e divulgado nesta sexta-feira, 29.
Conforme o levantamento, houve alta de 2,3% no preço dos combustíveis em comparação a março, reflexo de um aumento de 4,4% no petróleo no mercado internacional, além de alta de 12,8% nos fertilizantes, principalmente a ureia.
“Esses aumentos são reflexos diretos da situação geopolítica no Oriente Médio e das disrupções logísticas no Estreito de Ormuz. Além de combustível e fertilizantes, houve alta expressiva de 30,6% nos custos com energia. Grãos se mantiveram estáveis ou com leve recuo. No acumulado do ano, houve inversão da tendência de preços, que deixou de ser deflacionária e passou a ser inflacionária, com alta de 1,06%”, descreveu a entidade.
“O movimento mostrou convergência com a dinâmica observada no IGP-DI/FGV, que acumulou alta de 0,77% no mesmo período, indicando recomposição parcial das pressões inflacionárias ao nível do produtor.”
Acumulado
Já no acumulado de 12 meses, o custo teve deflação de 4,7%, com queda do preço da silagem e concentrado (de 15,8% e 10,5%, respectivamente), mas alta com gastos com energia elétrica (30,8%), fertilizantes (30%) e combustíveis (6,9%).
“O alívio no custo de produção, entretanto, não se reflete em melhor situação para o produtor, visto que o preço recebido também caiu, mas em ritmo maior que os custos, com uma queda de 10%. A retração do preço do leite superou o alívio proporcionado pela queda parcial dos custos, resultando em compressão das margens operacionais e deterioração das relações de troca da atividade”, adverte a entidade.
“Apesar da redução observada em parte dos insumos, o ambiente operacional permanece desafiador. A retração do preço do leite superou o alívio proporcionado pela queda parcial dos custos, resultando em compressão das margens operacionais e deterioração das relações de troca da atividade”, complementa.
Maio moderado
E para maio o relatório prevê “uma manutenção de inflação moderada no índice”. “A estabilização recente dos combustíveis e a valorização cambial tendem a limitar parte das pressões de custos no curto prazo. Entretanto, o segmento de fertilizantes mantém viés altista, em função da relevância estratégica do Estreito de Ormuz para o abastecimento global de nitrogenados.
Adicionalmente, a recente valorização do milho poderá ampliar a pressão sobre os custos de alimentação animal”, esclarece.
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