Sediada em Concórdia, Santa Catarina, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu uma ferramenta que contribuirá para o incremento da biosseguridade na suinocultura brasileira, em uma ação estratégica para preservar a importância da atividade. Trata-se de um software que avalia o conjunto de práticas que protegem os rebanhos contra doenças em granjas do setor. Testado no Paraná, o BiosSui, como foi denominado o programa, gera indicadores de adequação e organiza recomendações para melhoria no sistema de produção. De acordo com a Embrapa, o BiosSui pode ser utilizado para apoiar a tomada de decisão de produtores, gestores e técnicos de agroindústrias e órgãos de defesa sanitária, nas diferentes regiões que produzem suínos no país.
“É uma ferramenta que deve ter muita utilidade para o setor produtivo, no sentido de fortalecer a biosseguridade das granjas, garantindo o padrão sanitário que temos, que é bastante elevado”, diz o pesquisador Franco Muller Martins, líder do projeto de desenvolvimento do software. Conforme Martins, a partir da implementação no Paraná, será possível encaminhar a adoção em outras unidades federativas. Os estados da Região Sul respondem por mais de 72% da produção de suínos do Brasil (e mais de 90% das exportações), de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
“Temos a possibilidade de ter um indicador representativo do sistema de produção brasileiro, baseado num conjunto padronizado de critérios. Com isso, além de orientar a implementação de melhorias, o indicador permite comunicar, numa base comum, a robustez do status sanitário em cada região ou agroindústria no país”, explica o pesquisador.
O software foi idealizado a partir de recomendações de biosseguridade mínima apresentadas pela Embrapa em 2017, as quais serviram como subsídio técnico às normativas de biosseguridade para produção de suínos. As normativas são atualmente adotadas no Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e estão em fase de implantação em outros estados. “Isso nos dá um referencial técnico mais homogêneo para trabalharmos um escopo geográfico maior”, afirma Martins.
Os critérios incluem aspectos relacionados às características do entorno da propriedade, isolamento e cuidados no acesso às instalações, origem dos animais e manejo no alojamento, qualidade da água e manejo de animais mortos. Cada critério é representado por um conjunto de níveis de impacto, que reúne procedimentos ou estruturas que influenciam a biosseguridade da granja. Os níveis de impacto estão associados a uma escala de valor e cada um tem peso definido.
O BioSui é uma ferramenta de avaliação de larga escala. Assim, sua adoção implica o envolvimento dos órgãos oficiais de defesa agropecuária e entidades do setor, como agroindústrias, cooperativas, associações de produtores. No Paraná, a validação do software envolveu o estabelecimento de parcerias com a Frimesa Cooperativa Central (com sede em Medianeira e que reúne cinco cooperativas) e a agência de defesa agropecuária daquele estado.
“As entidades realizam o cadastramento de granjas no sistema e procedem a coleta de dados. Assim, atuamos com as equipes técnicas das cooperativas e os fiscais de defesa agropecuária. São estes técnicos que fazem o trabalho de orientação junto aos produtores”, relata Martins.
O software é composto por três módulos principais: Avaliação, Simulação de Melhorias e Dashboards. No primeiro módulo, o de Avaliação, a situação da granja é registrada por meio de um questionário, possibilitando que os índices sejam calculados e avaliados. O segundo módulo é responsável pela geração de recomendações técnicas para adequação das granjas.
Essa funcionalidade permite ao usuário simular o impacto que melhorias na infraestrutura e no manejo da granja podem exercer no índice de biosseguridade.
O terceiro módulo possibilita acompanhar índices por meio de painéis e mapas interativos, indicando posição geográfica das granjas, identificadas por cores conforme o nível de biosseguridade, facilitando a análise tanto da propriedade.
