Rural

Relatório de Itaú BBA recomenda cautela a produtores rurais

Estudo Visão Agro 2025/2026 indica um cenário desafiador para a agropecuária brasileira no atual ano-safra

Dificuldades com o arroz e o trigo estão entre os destaques do relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA
Dificuldades com o arroz e o trigo estão entre os destaques do relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA Foto : Giovani Wrasse/Irga

Incertezas macroeconômicas e geopolíticas estabelecem um cenário desafiador para o agronegócio brasileiro no ano-safra 2025/2026, que agora se inicia. É o que aponta o relatório Visão Agro 2025/2026 da Consultoria Agro do Itaú BBA, lançado na última quinta-feira, 3.

O estudo salienta os riscos de menor crescimento global em um contexto de juros elevados, guerras em curso no Mar Negro e, mais recentemente, no Golfo Pérsico, impactando custos de energia e a oferta de fertilizantes (insumo em que o Brasil é altamente dependente de importações), combinados com baixos preços das principais commodities agrícolas.

Conforme Itaú BBA, esses aspectos “criam um ambiente complexo e potencialmente perigoso, em que a boa gestão se torna ainda mais decisiva. Será fundamental manter a ‘guarda alta’ na gestão dos riscos, dada a possibilidade de reviravoltas em diversas variáveis”.

O relatório salienta que se trata do terceiro ano-safra consecutivo “com a principal mensagem de início sendo a de cautela”, acrescentando, na análise, o aumento do índice de inadimplência no setor.

O ciclo, conforme a consultoria, será marcado pela exigência de atenção em relação à formação de custos.

“Os fertilizantes já vinham em alta e, com o agravamento das tensões no Oriente Médio, os preços tendem a subir ainda mais, deteriorando as relações de troca para a maioria das commodities”, afirma o texto.

Sem altas

O relatório prevê “pouco espaço para altas” nos preços da soja e do milho, em razão de crescimento dos estoques mundiais. A projeção de safra recorde para a soja na América do Sul, “com exceção do RS e algumas regiões do MS”, se soma à melhoria das condições para o milho safrinha, “revertendo em apenas dois meses, sete meses consecutivos de alta nos preços, penalizando produtores que não gerenciaram adequadamente o risco de preços”.

De acordo com Itaú BBA, as margens para ambos os grãos “devem ser ainda menores do que as observadas” no ciclo anterior.

“Esse cenário, somado ao alto custo do capital, significa que uma parte relevante dos resultados será absorvida pelas despesas financeiras. O espaço para erros, portanto, será mínimo”, diz o relatório de Itaú BBA.

Redução de área

Na perspectiva desafiadora também está presente na lavoura de arroz, com safra recorde e preços abaixo dos custos de produção. A perspectiva é de uma oferta global de 542 milhões de toneladas, com estoque final de 185,1 milhões de toneladas.

“Isso deve levar a uma próxima safra com menor investimento. A valorização do real também tem incentivado as importações em um momento em que o setor necessitaria exportar, um drama que também atinge o produtor de trigo, que encontra dificuldade em competir com o cereal argentino, contribuindo para a expectativa de forte redução da área plantada”, diz o relatório.

A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é de redução de 5,4% da área plantada para os principais países do Mercosul, considerando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, para 2,1 milhões de hectares. Todos os países reduzirão a área destinada ao arroz, com exceção do Paraguai, com expectativa de aumento de 210 para 215 mil hectares.

Com isso, a produção do bloco deve ser 6,7% inferior, somando 9,5 milhões de toneladas. As

estimativas refletem a oferta elevada e a pressão dos preços nesta safra 2024/25, que somou 10,2 milhões de toneladas nestes países – um aumento de 4,8% em relação ao período anterior.

Consumidores de grãos

Em contrapartida, a consultoria avalia que “os elos consumidores de grãos, especialmente as proteínas animais, devem atravessar um bom momento”.

Para o boi gordo, “o alinhamento entre uma oferta ainda elevada, mas em desaceleração e uma demanda global firme, somada à queda da produção nos EUA, favorece o Brasil, que se beneficia tanto da necessidade de importação quanto dos altos preços da carne norte-americana, que ressaltam nossa competitividade”.

A estimativa também é favorável nos setores de aves e suínos, com custos de ração sob controle, preços relativamente elevados das carnes sustentando boas margens históricas e uma demanda global aquecida.

“O desafio mais imediato é a retomada das exportações de carne de frango após a ocorrência de gripe aviária no RS, mas acreditamos que esse obstáculo será superado em breve”, acrescenta o relatório.

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