Rural

Viticultores elevam tom contra herbicidas hormonais no RS

Fruticultores relatam deriva em 86 municípios e risco de colapso na próxima safra de uva

A cada dia que se aproxima o período de brotação dos vinhedos na região da Campanha, em meados de agosto e setembro, aumenta a preocupação dos viticultores
A cada dia que se aproxima o período de brotação dos vinhedos na região da Campanha, em meados de agosto e setembro, aumenta a preocupação dos viticultores Foto : Wagner Meneguzzi/Divulgação/CP

Com a próxima safra de uva parcialmente ameaçada pela utilização de herbicidas hormonais, aplicados na cultura da soja, onze entidades assinaram um novo manifesto contra a utilização das substâncias no Estado. Divulgado nesta quarta-feira, dia 23 de julho, pela Associação dos Vinhos Finos da Campanha Gaúcha, o protesto das instituições representantes de fruticultores renovou o pedido de suspensão da aplicação dos pesticidas.

Os produtores relatam enfrentar o problema desde 2014, sem uma solução. Conforme o grupo, a ocorrência de deriva, ou seja, o deslocamento do pesticida, causado pelo vento no momento da aplicação, é comprovado em 86 municípios do Rio Grande do Sul.

A presidente da associação vinífera, Rosana Wagner, disse ter sofrido perdas de 50%, em 2024, e de 35%, em 2025, em sua propriedade. Segundo Rosana, a cada dia que se aproxima o período de brotação dos vinhedos na região, em meados de agosto e setembro, aumenta a preocupação dos viticultores. Em outubro os sojicultores iniciam a época de preparação do solo e, para isso, aplicam herbicidas hormonais como o 2,4-D.

“Estamos apavorados. Um ano de trabalho pode se perder em dias. Quando eles preparam o solo, o nosso vinhedo cai por terra”, desabafa.

De acordo com Rosana, a ação cumulativa também causa a extinção precoce dos vinhedos. As plantas deveriam durar, em média, 40 anos.

“A instalação de um hectare de vinhedo é caríssima, em torno de 30 mil dólares. A noz-pecã e as oliveiras também estão sofrendo terrivelmente. A situação é gravíssima. Estamos todos apavorados”, acrescenta, apontando que árvores ornamentais e nativas com folhas largas são extremamente impactadas.

No texto do manifesto, as instituições solicitam o cancelamento definitivo do cadastro estadual de uso dos herbicidas hormonais no Rio Grande do Sul. Na prática, a medida representaria uma proibição de uso. De acordo com as entidades, há alternativas disponíveis para o manejo de plantas daninhas na agricultura sem a necessidade de emprego de herbicidas hormonais, garantindo a viabilidade da lavoura de soja.

O manifesto é assinado por Cooperativa São José, de Jaguari; Associação dos Viticultores da Região Central do Rio Grande do Sul; Associação de Vitivinicultores do Extremo Sul – RS; da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra); do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS); da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho); do Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho RS); da Associação da Comissão Interestadual da Uva (ACIU) ; do Instituto Brasileiro da Olivicultura (Ibraoliva) e da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã (Agapomi).

Em abril, uma audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, determinou a criação de subcomissão para avaliar a suspensão e a proibição da aplicação de herbicidas hormonais nas lavouras gaúchas, especialmente na soja. O grupo estabeleceu um cronograma de atividades com 11 reuniões entre maio e julho em diferentes regiões do Estado para debater o tema com agricultores, entidades, pesquisadores e empresas, entre outros. O relatório deverá ser concluído em agosto e será elaborado pelo deputado Adolfo Brito (PP).

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