Acontece em São Leopoldo, II Encontro Estadual dos Oficiais e Oficiais de Justiça do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). O evento, que reúne especialistas, pesquisadores e profissionais do Judiciário, tem como tema central "Algoritmos no Comando – A ameaça à soberania e à democracia", propondo dois dias de discussões sobre os impactos da inteligência artificial, do poder das big techs e das transformações tecnológicas junto aos processos judiciais, mundo do trabalho e das instituições democráticas. A atividade, que teve início nesta sexta-feira, é promovida pela Abojeris com encerramento no sábado. O encontro deve reunir mais de 200 Oficiais e Oficiais de Justiça de todas as regiões do estado.
De acordo com o presidente da Abojeris, Valdir Bueira, o avanço da inteligência artificial, o uso de sistemas automatizados e a influência das grandes plataformas digitais vêm impactando decisões públicas, relações de trabalho e o funcionamento das instituições, levantando debates e questionamentos importantes sobre transparência, controle social e soberania tecnológica.
"Entre os assuntos abordados, vamos falar sobre as big techs, grandes empresas de tecnologia que armazenam dados dos processos judiciais na nuvem. Não sabemos ao certo como estes dados estão sendo tratados. Isso é um questionamento importante porque estas empresas não têm regulamentação e, além disso, são dados referentes a disputas processuais. Não há qualquer fiscalização."
Segundo Bueira, das cinco maiores empresas de tecnologia mundiais, os chamados gigantes da informação, apenas duas delas detém 62% dos dados das pessoas de todo o planeta. "Nestes dois dias de discussão também vamos falar da força do uso e treinamento dos algoritmos nas estratégias da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. A tecnologia utilizada a favor dos conflitos armados. São temas sensíveis e muito pertinentes que merecem nossa atenção."
O presidente da Abojeris acredita que o mau uso da inteligência artificial pode atacar a democracia, sim. "A nossa preocupação diante das transformações tecnológicas e do uso da inteligência artificial nas decisões judiciais é que deve existir uma supervisão humana efetiva. Não podemos admitir que um fato seja julgado por uma máquina, sem sensibilidade e emoção. Decisões desta natureza pode mudar a vida de uma pessoa para o bem o e mal, para sempre. Sustentamos que julgamentos sejam feitos juízes humanos e não por robôs."
A programação inclui debates sobre reforma administrativa e serviço público, precarização das relações de trabalho, análise de conjuntura política, inteligência artificial e big techs no Judiciário, organização nacional da categoria e saúde mental e condições de trabalho no sistema de justiça. Ao final do encontro, será realizada uma plenária destinada à construção coletiva de estratégias e posicionamentos da categoria diante das transformações em curso.
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