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Canal de irrigação em Arambaré pode ter parceria do Estado

Governo gaúcho aguarda estudo técnico atualizado da obra paralisada há há mais de uma década

Obra paralisada do projeto do canal de irrigação de Arambaré
Obra paralisada do projeto do canal de irrigação de Arambaré Foto : Emerson Peres / Divulgação / CP

Paralisado há mais de uma década, o projeto do canal de irrigação de Arambaré está voltando à pauta e sua antiga proposta para beneficiar a atividade primária da região poderá ter a participação do governo do Rio Grande do Sul.

O subsecretário de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Paulo Salerno, explica que está aguardando um estudo técnico atualizado do Ministério do Desenvolvimento Regional e Integração sobre a situação da obra e suas demandas para uma análise detalhada.

A construção do canal de irrigação de Arambaré foi iniciada com recursos da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Na época, 2011, foi orçado entre R$ 60 e R$ 65 milhões para uma estrutura de um novo sistema projetado para transpor água da Lagoa dos Patos a uma área equivalente a 10,5 mil hectares de lavouras entre o município e Camaquã. Após a deflagração da Operação Paralelo 31-S, implementada pela Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU) foi paralisada para investigar denúncias nas obras da barragem de Arvorezinha, em Bagé.

“O Estado tem possibilidade de, talvez, ser um parceiro do projeto”, afirmou Salerno, descartando que a iniciativa era executada com o acompanhamento do município de Arambaré e o governo federal. “Fomos convidados a receber uma comitiva, há poucos dias, da Coordenação Nacional de Infraestrutura de Irrigação do Ministério do Desenvolvimento Regional e Integração”, destacou, referindo-se a uma reunião em Porto Alegre no início de junho e que não há estimativa para receber o estudo técnico atualizado do governo federal.

Em junho do ano passado, um grupo de produtores rurais, entre outros, criou a Associação dos Irrigantes da Costa Doce (AICD). O presidente da entidade e engenheiro agrônomo, Emerson Peres, explica que a mesma foi concebida em virtude de dificuldades de obter informações sobre o projeto na gestão passada na Prefeitura Municipal de Arambaré.

Conforme Peres, no dia 4 de junho, a associação recebeu a equipe técnica do Ministério do Desenvolvimento Regional e Integração em Arambaré.

“Fizemos uma reunião na prefeitura e depois visitamos o depósito onde estão armazenados os equipamentos comprados na época. Está tudo lá, guardado há 15 anos”, detalhou, acrescentando que do valor orçado para o projeto foram aplicados R$ 26 milhões entre a compra dos aparatos e o início das obras civis em 2010.

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O presidente da AICD destaca que o processo judicial que resultou da operação da da Polícia Federal e da CGU, na Justiça Federal, foi julgado, sentenciado e, até setembro, tem perspectiva de serem concluídas as negociações de devolução de valores das empresas envolvidas nas irregularidades apuradas em Bagé. “Arambaré não teve nenhuma participação nesses problemas e, por isso, o projeto pode ser retomado e foi ‘devolvido’ para a prefeitura. Estamos com uma força tarefa, praticamente gastando dinheiro do próprio bolso para ir a Brasília e Porto Alegre”, afirmou, sobre o trabalho da entidade para a sua retomada.

“Arambaré tem esse elefante branco, parado, com as obras (realizadas), depreciando a cada ano que passa. E, esse projeto resulta de um estudo sobre a insegurança hídrica em uma área de 7 mil hectares na região, pois o Arroio Velhaco não tem uma barragem”, desabafou, justificando a importância da construção.

O movimento tem apoio do prefeito atual de Arambaré, Iago Kielermann. “O município aceita a reabertura da obra, a AICD faria o controle junto ao governo federal, e está em tratativa a possibilidade de que o governo do Estado abrace também (a causa)”, concluiu, afirmando que a construção do canal de irrigação geraria 300 empregos diretos, ampliaria a arrecadação da cidade e beneficiaria da agricultura familiar a produtores maiores dedicados, principalmente a cultura do arroz e da soja.