O Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) estima que 80% da produção gaúcha de noz-pecã da safra deste ano foi perdida com as cheias de maio. A entidade está contabilizando dados em diferentes municípios onde atuam seus mais de 100 associados, compondo 89% da área cultivada, 85% dos produtores e 90% das indústrias de processamento.
“No caminho da destruição encontramos casas, galpões, estradas, infraestrutura de irrigação e áreas de produção ainda a serem colhidas”, diz o presidente do IBPecan, Eduardo Basso.
Nos pomares, produtores constatam que não vale a pena colher as frutas pela baixa qualidade das nozes, início da germinação dentro da casca, queda dos frutos prontos e perdas pelas enxurradas. O IBPecan também ouviu relatos de rompimento de barragem e casa das bombas. A cultura já havia sofrido perdas com o excesso de chuvas na fase de polinização.
Conforme Basso, a área plantada de nozes-pecã no Brasil chega a 10 mil hectares, sendo que 70% é em território gaúcho. A produção alcança 215 municípios e 1,5 mil famílias, com concentração de pequenos e médios produtores, principalmente nos vales do Taquari e Rio Pardo, regiões severamente afetadas pelas enchentes. Os impactos atingem ainda cerca de mil pessoas que trabalhariam na colheita. O IBPecan informa que 81% dos pomares (175) estão em áreas de reconhecido estado de calamidade (45) ou situação de emergência (130). “Eles representam 89% da área total cultivada com nogueiras e 85% do total de produtores”, afirma o presidente.
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O instituto levantou as perdas em pesquisa com os associados, que relataram perda econômica expressiva em toda a cadeia, abrangendo produção, estrutura de pomares, ativos patrimoniais e processos de beneficiamento e comercialização. As indústrias têm custos adicionais pela interrupção das atividades e impacto pela variabilidade na qualidade do produto recebido, onerando os custos de beneficiamento. Também as dificuldades logísticas, pelas perdas de pontes e estradas, ameaçam os contratos com clientes nacionais e internacionais. Basso alerta que o impacto ao setor será maior do que o indicado pelo levantamento preliminar.
“À medida que os prejuízos forem sendo consolidados, há também os intangíveis, como os danos à auto-estima do produtor e a sua motivação para continuar a produzir alimentos de qualidade”, destaca.
A destruição no setor veio logo após o inpicio oficla da colheita no Estado. O IBPecan deve apresentar a realidade do segmento e pedir apoio para a reconstrução na próxima quarta-feira, em reunião virtual da Câmara Setorial da Pecanicultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).