Creio que a primeira vez que ouvi falar no Peru tenha sido na Copa de 1970. Um país me chamou atenção, chamado Peru, nome de uma ave que inclusive minha mãe tentara criar, mas a reprodução era complicada, e o animal, sensível. Depois, com o tempo, vim a saber que o nome provinha dos povos originários e se referia a quem vivia ao sul do Panamá.
Era mais do que isso, era o local na América onde floresceram civilizações pré-colombianas extremamente avançadas, antes mesmo dos incas. Agora, passados tantos anos e tantas Copas, visitei o Peru. E tive a alegria de caminhar no Malecón de Lima como tantos personagens de Mário Vargas Llosa que lia durante a Faculdade de Comunicação na UFSM. Vi as falésias do bairro Miraflores. Sempre há um descompasso entre aquilo que a gente imagina nos romances e, depois, quando se conhece os lugares citados.
Na UFSM, mudei, fiz amigos que me ajudaram e até conheci o peruano Emilio Gonzales, que mora em São Paulo, meu amigo até hoje, como outros daqueles saudosos dias. Foi justamente o Emílio que me sugeriu visitar o Museu Larco, em Lima, uma raridade, um manancial de história e civilização muito bem preservada. Ali está didaticamente a gênese da humanidade na América do Sul. Povos que viveram há milhares de anos, cerca de 100 anos a.C. até 800 anos d.C. Depois, como se sabe, chegaram os conquistadores espanhóis e destruíram tudo.
Andei também pelo antigo bairro Barranco, onde por sinal descobri um boteco raiz, parecido com os que temos aqui, muito curioso. O Juanito. Onde se bebe um pisco maravilhoso e se come um sanduíche de carne de pernil de porco inesquecível. As vendedoras de souvenirs no Centro Histórico são doces e simpáticas, vestidas a caráter, com roupas típicas dos altiplanos, e não exigem dinheiro para fazer fotos.
Conheci gente que recebe bem os brasileiros. Como é normal, ficam curiosos em saber mais sobre o Sul do Brasil, nossas tradições, e os que conversei poucas informações tinham de gaúchos brasileiros. A cultura e a tradição são fortes no Peru. E a Campereada ressalta o regionalismo, o folclore e a tradição. Alargar horizontes e compreender nossas origens. Quanto mais conhecemos culturas alheias, mais valorizamos aquilo que temos, que é nosso.
* Neste domingo, 1° de novembro, espero todos na Feira do Livro, às 18h, para os autógrafos de “Alma de pirilampo”.
