Rural

Projeto “Do Canteiro ao Prato” chega a Pelotas

Foco da iniciativa é a produção orgânica, formação de jovens e distribuição de alimentos

A iniciativa é  voltada à sustentabilidade, inclusão social e segurança alimentar
A iniciativa é voltada à sustentabilidade, inclusão social e segurança alimentar Foto : Angélica Silveira / Especial / CP

A Otroporto Indústria Criativa lançou em Pelotas o projeto "Do Canteiro ao Prato". A iniciativa, que ocorre em parceria com o Centro de Convívio dos Meninos do Mar da Universidade Federal do Rio Grande (CCMAR/ Furg) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é custeada com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público. A ação tem o apoio da Sagres Agenciamentos Marítimos/Operações Portuárias e CMPC e deve ser executada até 2028.

O projeto desenvolverá atividades na região do Porto de Pelotas, com uma proposta voltada a integrar a produção de alimentos orgânicos à formação técnica de jovens e a distribuição gratuita de hortifrutigranjeiros para comunidades em situação de vulnerabilidade. A iniciativa foi instalada em uma área de aproximadamente 5,3 mil metros quadrados, onde está localizada uma horta urbana, que já produz 150 quilos de hortaliças por mês. Os alimentos são destinados a projetos sociais como o Satolep Invisível - Cozinha Solidária, Instituto Hélio de Angola, Kilombo Urbano –Canto de Conexão, além de moradores do entorno.

Os jovens com idades entre 16 e 20 anos que participarão do projeto também terão uma oportunidade de formação profissional, com o curso Agricultura e Meio Ambiente. Na iniciativa gratuita, ele aprenderão sobre como fazer jardins e hortas, gerando uma oportunidade de renda. A formação é voltada para 75 jovens, sendo 15 por semestre. As aulas do primeiro grupo começam no dia 4 de maio, no turmo inverso ao da escola. Os participantes terão direito a vale-transporte, lanche e certificado de participação. O curso é voltado para alunos da rede pública cujas escolas estejam localizadas na região portuária.

A iniciativa replica o projeto instalado em Rio Grande há oito anos. Com foco na transformação social por meio da educação e da sustentabilidade, a ação semeia novas oportunidades e fortalece vínculos com a comunidade, promovendo um futuro mais saudável e inclusivo. Durante o lançamento, autoridades e parceiros destacaram a importância da iniciativa para o município. A vice-prefeita de Pelotas, Daniela Brizolara ressaltou o compromisso coletivo com a transformação social.

"Este é mais um momento , em que precisamos estar comprometidos com a segurança alimentar, com atores que realmente querem fazer essa mudança", destacou. O diretor de projetos da Otroporto, João Eduardo Keiber, enfatizou o papel da educação e da integração com a comunidade escolar. "O projeto nasce também do compartilhamento de saberes e da conexão com o território. É fundamental saudar as escolas parceiras, como a Dom João Braga e a Félix da Cunha, que fazem parte desse processo de formação e transformação", disse.

O coordenador pedagógico do CCMar, Guy Barcellos, lembrou que a iniciativa nasce da crença de que é possível dar ferramentas e preparar as pessoas. "No CCMar, trabalhamos com alimentação saudável e já produzimos toneladas de alimentos para jovens, abrigos e, por um período, até hospitais. Tudo isso só é possível porque não desistimos de acreditar em um mundo em que as pessoas possam se alimentar com dignidade", observou. A reitora da UFPel, Ursula Rosa da Silva, também celebrou a união de esforços.

"Quando reunimos muitas pessoas sonhadoras, conseguimos ver as iniciativas saírem do papel e se tornarem realidade", enfatizou.

No final da solenidade, todos foram conhecer a horta da iniciativa. Atualmente sete pessoas trabalham no local. A equipe do projeto é formada pelo coordenador técnico, professor Ernesto Martinez; pelo supervisor, professor Reges Echer; pela professora Helena Terra; pelo o técnico em Agroecologia Andrei Silva; e pelo auxiliar de produção Alan Born Silva. As estufas ainda estão sendo finalizadas. "Queremos mostrar que em pequenos espaços é possível plantar alimentos", finaliza o coordenador técnico do projeto.

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