Rural

Rio Grande do Sul terá de recompor 3,2 milhões de hectares de solos agrícolas consolidados

Estimativa dos impactos das cheias foi apresentada em reunião na Secretaria da Agricultura

Enchentes elevaram os custos de contratação do seguro rural
Enchentes elevaram os custos de contratação do seguro rural Foto : Cristiano Carlos Laste/Emater/Divulgação

Quando as águas baixarem, o Rio Grande do Sul vai precisar intervir em cerca de 3 milhões de hectares de solos de áreas agrícolas consolidadas, com ações para recuperar sua fertilidade e estrutura. A inclemência do tempo imõe a necessidade de ações já para criar condições para as culturas de inverno como trigo, cujo planejamento e atividades iniciais de preparo do solo já sofreram perdas devido às chuvas.

A estimativa de perdas de solos depauperados por cheias ou deslizamentos foi apresentado pelo Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Florestas Plantadas, na quinta-feira. O encontro tratou de demandas emergenciais e estratégias de superação para o setor florestal.

Conforme o diretor de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, o cálculo de 3,2 milhões de hectares foi feito a partir de estudos da Embrapa e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dados mais acurados devem ser apresentados pela Emater/S-Ascar, a partir do trabalho a campo que está sendo feito pelos extensionistas para dimensionar as perdas reais de solo e lavouras.

“Isso vai permear o trabalho de planejamento que está sendo elaborado pela secretaria para um plano de reconstrução do solo agrícola e recomposição da fertilidade para os próximos anos, junto com todas as entidades”, afirma Felicetti.

Florestas plantadas

Conforme o diretor, o Estado já orienta para os cuidados com o solo por meio do programa de agricultura de baixo carbono. “Vamos ter de rever metas e procedimentos a partir dessa catástrofe, porque esse é um programa que vai contribuir e muito para a recuperação e a estabilidade da produção agrícola”, destaca.

Na quinta-feira, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Florestas Plantadas debateu o cenário atual. Integrante da Câmara Setorial das Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Diogo Leuck afirmou que o setor florestal brasileiro pode ajudar o Rio Grande do Sul fornecendo casas de madeira aos atingidos pelas enchentes.

“Temos que agir rápido. Sugiro a criação de um comitê gestor para alinhar as ofertas do país com as demandas do Estado e também que seja criado um fundo para arrecadação de recursos”, propôs Diego Leuck.

Leuck ainda pediu esforços para a aprovação do Projeto de Lei 1366, que pretende desburocratizar o setor e mostrar sua importância para a sociedade. “Hoje temos uma demanda de 80 a 100 mil moradias a serem construídas”, pontuou.

O engenheiro florestal da Seapi Jackson Brilhante contou que já existe no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) um projeto de pesquisa e produção de mudas nativas da Mata Atlântica, que pode contribuir para a reconstrução do Estado. “O projeto é executado pelo DDPA, em Santa Maria, no valor de R$ 810 mil, que serão aplicados na qualificação da oferta de sementes e mudas florestais nativas do bioma Mata Atlântica”, explicou.

Brilhante disse que, além de plantar mudas nativas, é preciso inovar, dando o exemplo aplicado na recuperação da área da Vale atingida pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 2016. Segundo o engenheiro, na área afetada foi feito plantio de mudas nativas com a técnica de indução de florescimento precoce - aplicação de hormônios para induzir o florescimento de espécies florestais de forma precoce e acelerar o processo de recuperação ambiental.

Veja Também