Quando as águas baixarem, o Rio Grande do Sul vai precisar intervir em cerca de 3 milhões de hectares de solos de áreas agrícolas consolidadas, com ações para recuperar sua fertilidade e estrutura. A inclemência do tempo imõe a necessidade de ações já para criar condições para as culturas de inverno como trigo, cujo planejamento e atividades iniciais de preparo do solo já sofreram perdas devido às chuvas.
A estimativa de perdas de solos depauperados por cheias ou deslizamentos foi apresentado pelo Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Florestas Plantadas, na quinta-feira. O encontro tratou de demandas emergenciais e estratégias de superação para o setor florestal.
Conforme o diretor de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, o cálculo de 3,2 milhões de hectares foi feito a partir de estudos da Embrapa e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dados mais acurados devem ser apresentados pela Emater/S-Ascar, a partir do trabalho a campo que está sendo feito pelos extensionistas para dimensionar as perdas reais de solo e lavouras.
“Isso vai permear o trabalho de planejamento que está sendo elaborado pela secretaria para um plano de reconstrução do solo agrícola e recomposição da fertilidade para os próximos anos, junto com todas as entidades”, afirma Felicetti.
Florestas plantadas
Conforme o diretor, o Estado já orienta para os cuidados com o solo por meio do programa de agricultura de baixo carbono. “Vamos ter de rever metas e procedimentos a partir dessa catástrofe, porque esse é um programa que vai contribuir e muito para a recuperação e a estabilidade da produção agrícola”, destaca.
Na quinta-feira, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Florestas Plantadas debateu o cenário atual. Integrante da Câmara Setorial das Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Diogo Leuck afirmou que o setor florestal brasileiro pode ajudar o Rio Grande do Sul fornecendo casas de madeira aos atingidos pelas enchentes.
“Temos que agir rápido. Sugiro a criação de um comitê gestor para alinhar as ofertas do país com as demandas do Estado e também que seja criado um fundo para arrecadação de recursos”, propôs Diego Leuck.
Leuck ainda pediu esforços para a aprovação do Projeto de Lei 1366, que pretende desburocratizar o setor e mostrar sua importância para a sociedade. “Hoje temos uma demanda de 80 a 100 mil moradias a serem construídas”, pontuou.
O engenheiro florestal da Seapi Jackson Brilhante contou que já existe no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) um projeto de pesquisa e produção de mudas nativas da Mata Atlântica, que pode contribuir para a reconstrução do Estado. “O projeto é executado pelo DDPA, em Santa Maria, no valor de R$ 810 mil, que serão aplicados na qualificação da oferta de sementes e mudas florestais nativas do bioma Mata Atlântica”, explicou.
Brilhante disse que, além de plantar mudas nativas, é preciso inovar, dando o exemplo aplicado na recuperação da área da Vale atingida pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 2016. Segundo o engenheiro, na área afetada foi feito plantio de mudas nativas com a técnica de indução de florescimento precoce - aplicação de hormônios para induzir o florescimento de espécies florestais de forma precoce e acelerar o processo de recuperação ambiental.
