Dez toneladas de cocaína no mar das Canárias. Se uma carga dessa magnitude estava a caminho, quantas outras passaram despercebidas? Órgãos internacionais apontam que as drogas ilícitas movimentam entre US$ 500 bilhões e US$ 600 bilhões por ano, o PIB de países médios do G20. Só que, enquanto o tráfico acumula lucros astronômicos, o Estado arca com os prejuízos. Financeiros e sociais.
É preciso, sim, desconfiar de todos. Não por paranoia, mas por lucidez. Repetindo: a maioria dos abusos não vem do estranho encapuzado, mas de alguém que cumprimenta, senta à mesa, frequenta a casa ou está dentro dela. O discurso confortável de “aqui não acontece” é cúmplice do silêncio que protege agressores.
É inaceitável que uma estrada com a relevância da BR 116 continue sendo um corredor de mortes. A responsabilidade individual deve ser cobrada, sem dúvida. Mas a responsabilidade dos governos brasileiros é inescapável. A demora virou método. A promessa, rotina. O risco, permanente.
Estado se omitiu por anos e anos e agora correu para apagar o incêndio quando ele já é praticamente incontrolável
Corpos ainda estão sendo encontrados e a conta parece longe de fechar
Foram mais de 40 anos enfrentando com coragem a maior facção criminosa brasileira
Que país é este onde se comete um crime brutal por dinheiro, contra a própria mãe, e pouco tempo depois se está solto?
Como bem disse o Secretário de Segurança Pública do RS, fica claro que existe pensamento um machismo estrutural, uma misoginia que mata.