O nó mais apertado da discussão da recente consulta pública, aberta pelo governo federal, repousa sobre os ombros dos educadores: como reforçar a ética no uso dessas ferramentas?
Talvez seja por isso que o inverno carregue essa melancolia bonita dos velhos filmes e das antigas crônicas. Ele nos lembra que somos frágeis. E que a fragilidade também pode produzir ternura.
O mundo digital criou atalhos perigosos para a intimidade humana. E a coragem daquela criança foi heroísmo genuíno.
O horror se multiplica quando percebemos que estamos diante de uma sociedade adoecida que permite que meninos aprendam, cedo demais, o idioma da crueldade.
A gravidade do episódio reside na frieza do planejamento
A tecnologia está aí, onipresente e indiferente. Mas o código não tem ética. O objeto não tem alma. Quem aperta o "enter" é o humano.
O perigo que se esconde nessas vitrines de cristal líquido é muito mais profundo do que o simples estelionato financeiro: é o sequestro cognitivo da nossa juventude.
A condenação de dois homens por promoverem “turismo sexual” para estrangeiros ricos, em São Paulo, escancara essa cultura que trata mulheres como mercadoria.
A 7ª edição do Festival Rastros do Verão promoverá bate-papo com os autores de “1937 – Juliette em perigo!” (Rafael Guimaraens) e “Perigo na esquina” (Tailor Diniz) nesta terça, 17 de março, na Livraria Clareira, em POA.
Há algum tempo, parecemos aceitar que a estupidez deixe de ser acidente e passe a ser método. Não é mais um descontrole isolado. É estratégia. De conquista ou marketing. De imposição ou afirmação.
Quando li sobre a absolvição, incrédulo e indignado como a esmagadora maioria dos leitores, pensei: pronto, agora haverá um êxodo de pedófilos para esse lugar, onde se autoriza um crime desta envergadura, onde se absolve um abusador de criança, onde se aceita a violação da dignidade de uma menina.
O soldado da Brigada Militar Nicolas Nunes, de férias, não acordou naquela manhã imaginando que pisaria tão fundo na fronteira tênue entre a vida e a morte. Histórias como essa lembram que, por trás da sirene e da farda, há seres humanos que escolhem, repetidas vezes, correr em direção ao perigo para cumprir um juramento. Para que outros possam, simplesmente, viver.
A Lei nº 15.181/2025 até promove mudanças significativas no crime de furto ao criar duas novas qualificadoras, que abrangem estes casos. Mas, como quase todas as leis brasileiras, isto não pareceu intimidar os criminosos
Modernidade é ótima. Ajuda a aprender, aproxima, desvenda. Mas exige freio. Pensar antes de postar. Respirar antes de responder. Contar até dez antes de transformar um mal-entendido em certeza, uma opinião em agressão, um empurrão em confusão. Às vezes, a atitude mais moderna é simplesmente conversar. Olhando no olho. Coisa quase revolucionária.
Não são crimes passionais, nem brigas de esquina. São execuções. Mensagens enviadas à luz dos refletores, para que todos vejam, ouçam e entendam. A pergunta surge sem pedir licença: estamos assistindo à volta declarada da guerra entre facções na capital?
A Lei nº 14.786/2023 transformou o “não é não” em protocolo obrigatório no Brasil já há quase três anos e só volta e meia, como neste carnaval, alguém lembra. Casos de importunação sexual, perseguições dentro de festas e agressões após negativas são comuns. Por anos foram tratados como exagero ou “mal-entendido”. A lei muda esse roteiro. Mulher não é coisa. Nunca foi.
Toda despedida de um comandante-geral, na Brigada Militar, é um capítulo importante que se fecha na história viva da corporação. Porém, a saída do Coronel PM Cláudio dos Santos Feoli carrega um “plus” nesse peso simbólico. A Brigada Militar se despede de um líder. E segue em marcha, levando consigo o legado de um comando que fez história.
Amizade é uma palavra usada com certa pressa. A gente chama de amigo quem topa uma cerveja, ri alto na mesa do bar, aparece na foto da festa em rede social. Mas isso não é exatamente amizade. É convivência bem-humorada, dessas que evaporam junto com o último copo. O carnaval está chegando. Parece que todo mundo é amigo de todo mundo. Mas amizade de verdade não te coloca em risco. Não te força a nada. Respeita teu tempo, teu corpo e tua presença. Festa passa. Exceto quando vira tragédia.
A experiência autoriza o ceticismo: a Lei Maria da Penha, referência internacional, completa duas décadas cercada de homenagens e discursos, mas o país registra feminicídios, estupros e agressões em números obscenos. Não se mudou comportamentos. Leis não fracassam sozinhas: fracassam quando o Estado não fiscaliza, não pune e não educa.O Brasil já se acostumou a um festival de leis solenemente ignoradas, enquanto criminosos reais e virtuais, muitas vezes reincidentes, são identificados, processados e devolvidos à internet e às ruas com uma complacência quase pedagógica. Sem punição séria, severa e exemplar, não há algoritmo que eduque e muito menos norma que intimide.
Tudo indica, aos nossos olhos de espectadores ansiosos pelo desfecho do mistério, é que a investigação apontará para um enredo já conhecido, triste e repetido